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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Explode panela de pressão social nos subúrbios de Londres.
Rebelião, quebra-quebra e saques nos arredores de Londres certamente não tem nada de organizados, mas são alguns dos primeiros sintomas a emergir da austeridade, da crise e do desemprego que assola a Grã-Bretanha. Uma semana antes dos eventos que entram para a história de Londres como as piores rebeliões em quase três décadas, um jovem negro da comunidade de Tottenham alertava, em um vídeo produzido pelo The Guardian, para a grande panela de pressão que tinham se tornado, principalmente, as ruas dos subúrbios londrinos.
A reportagem é de Wilson Sobrinho, direto de Londres.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O OUTRO LADO

CAMERON & MURDOCH: UM CONDOMÍNIO POLICIAL, MIDIÁTICO E POLÍTICO.
10 dos 45 assessores de imprensa da Scotland Yard, a poderosa policia metropolitana de Londres, foram cooptados na redação do News of the World. Essa é a extensão --conhecida, até o momento-- da capilaridade de laços que une o jornalismo de manipulação e truculência, familiar ao público brasileiro, praticado pelo conglomerado Murdoch e a ação política do Conservadorismo inglês. Já se sabia que a cúpula da polícia inglesa contratara Neil Wallis, ex-diretor do News of de World, para sua assessoria de comunicação. O caso derrubou o comandante da corporação, sir Paul Stephennson e seu adjunto. Os dois também são suspeitos de terem engavetado as primeiras denúncias sobre uso de grampos pela redação do News of the World,, registradas em 2007. Deles teria partido a informação explosiva de que, ainda em 2010, um assessor de David Cameron pediu à polícia para não envolver o premiê nesse assunto. Difícil e cada dia mais improvável: eleito em maio de 2010, o próprio Cameron contratara Andy Coulson para sua assessoria de comunicação. Coulson fora afastado da direção do jornal de Murdoch em 2007 por envolvimento nas escutas telefônicas ilegais. Logo em seguida, ele e Wallis passaram a trabalhar juntos no comando da comunicação do partido Conservador, inclusive na campanha de 2010. Eleito, Cameron o levou para o governo, de onde só saiu em janeiro deste ano, quando o escândalo ficou incontrolável (Carta Maior, com agências e El País).
O OUTRO LAUDO: O CADÁVER QUE PASSOU PELO MOEDOR DE RUPERT MURDOCH - "Ele me contou sobre como costumava começar o dia: uma carreira de cocaína e um Jack Daniels ...Quando ele falou sobre as interceptações telefônicas, alguns deputados conservadores foram rápidos em atacá-lo, espalhando relatos sobre o uso de drogas... é preciso dizer que o ex-correspondente Sean Hoare, que morreu na segunda-feira, era um homem amável.. A sua origem era a classe trabalhadora, fanático torcedor do Arsenal, eleitor dos trabalhistas, que se definia como um “cláusula IV”, um socialista que ainda acreditava na propriedade pública dos meios de produção.Ele sabia o quão destrutivo o News of the World poderia ser, não apenas para os alvos de suas denúncias, mas também para os jornalistas comuns que trabalhavam lá e que eram usados sem remorsos...’ Na redação, você tem pessoas (...) desmanchando-se em lágrimas, afundando na garrafa’. (The Guardian; leia nesta pág) (Carta Maior; 4º feira 20/07/ 2011)

terça-feira, 12 de julho de 2011

MERCADOS TOCAM O TERROR NA ZONA DO EURO

BELLUZZO: "A COISA ESTÁ MAIS PARA URUBÚ DO QUE PARA COLIBRI" Testemunha ocular da zorra do euro, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo assiste, de Paris, ao tratoramento das instituições pelos mercados financeiros desregulados. Suas palavras: "Os ministros da Fazenda só conseguem fazer genuflexão para os mercados. A cada gesto de submissão os ditos mercados apertam as cravelhas. A última sugestão dos banqueiros: o Fundo Europeu de Estabilização deve comprar a dívida grega pelo valor de face (ou seja, os credores tiram o seu capital limpinho e na íntegra e o setor público afunda num mar de títulos podres). E a farra não cessa. Nesta 3º feira de trégua para a Itália e a Espanha, que registraram perdas brutais no dia anterior com a fuga de investidores e exigências de spreads maiores, os mercados decidiram exercitar a mira em um novo alvo: a cambaleante Irlanda. A Moody's, agencia de classificação de risco, anunciou que os títulos da dívida irlandesa decairam à categoria junker --'lixo'. Na semana passada, a mesma Moody's já havia jogado os papéis de Portugal no mesmo limbo, que elimina a chance de financiamento a mercado e afasta investidores como o diabo da cruz. A desordem financeira mundial cobra um preço alto e desmoralizante das autoridades da UE. Sem freios institucionais nem disposição ideológica para enquadrar as criaturas dos mercados desregulados, elas literalmente dançam na zona do euro, à reboque dos impulsos destrutivos das manadas especulativas. Os próximos dias prometem: depois de meses de hesitação, idas e vindas, a Comissão Européia anuncia uma cúpula de emergencia para sexta-feira. A intenção, até onde se sabe, é sancionar o calote de parte da dívida da Grécia, encalacrada entre a resistência dos credores privados --como observa Belluzzo, em realizarem perdas-- e a exigência da Alemanha, de que os beneficiário da festa grega ajudem a pagar a conta, depois de quebrados os pratos. Na mesma sexta-feira, ao final da tarde, será divulgado o diagnóstico sobre a saúde financeira da banca européia ('o teste de stresse'). Saberemos então a capacidade que tem o sistema privado de suportar um calote em sua carteira -- grego, por exemplo. A velha Europa range e ruge do assoalho econômico ao telhado político. Não é só o imbróglio financeiro, confirma Belluzzo: "... Além da crise dívida soberana, os europeus estão aparvalhados com o episódio do 'News of the World, o semanário do meliante Rupert Murdoch,que grampeou políticos, jogadores de futebol. O Guardian, o Independent e o próprio New York Times estão fazendo um cobertura digna do melhor jornalismo. No Brasil, os donos da imprensa estão escondendo o affair..."  A razão é simples: tudo soa familiar, demasiado familiar... (Carta Maior; 3º feira 12/07/ 2011)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Os passos, contra-passos e impasses da diplomacia norte-americana.

A política dos Estados Unidos na recente crise do mundo árabe é atravessada por pressões internas e externas, expondo contradições, tensões, choques e rivalidades. Não dá para "ler" o governo norteamericano, como ifenso a essas tensões e contradições.
Uma maneira algo ingênua, embora possa ser bem intencionada, de olhar para as atitudes dos Estados Unidos na recente crise do mundo árabe – em especial a do Egito – é ver o governo norte-americano como se ele fosse um tijolo. Ele seria uno, indivisível e teria em mãos uma espécie de guia eletrônico que, como uma flecha, ditaria o que e quando fazer em cada avanço, recuo ou estagnação.
Um olhar mais perscrutador consegue perceber as frinchas e os cisalhamentos que submetem as atitudes da e dentro da superpotência a pressões internas e externas, expondo contradições, tensões, choques e rivalidades. Isso não torna a mão de Washington mais leve na política do mundo. Mas exige bastante complexidade e sofisticação na leitura do que essa mão intenta e o que de fato faz, sendo uma coisa pior do que a outra conforme a ocasião.
Um olhar sobre a contradança que está presidindo a política norte-americana em relação ao Egito pode elucidar a complexidade da questão. Um bom ponto de partida, por sinal, é o artigo de Julian Borger em seu Global Security Blog no The Guardian, de 06/02/11, “The Egyptian Crisis: another day, another two US policies”.
Ele relata o que aconteceu no dia 05 de fevereiro, sábado, à tarde, na 47ª Conferência Mundial sobre Segurança, em Munique, na Alemanha. No começo da tarde, a Secretária de Estado Hillary Clinton deixou claro que os Estados Unidos preferiam uma “transição egípcia” liderada pelo vice-presidente recém nomeado Omar Suleiman, chefe da política durante a ditadura de Hosni Mubarak, aparentemente o novo homem forte no governo.
Mais adiante, numa intervenção através de uma tele-conferência, o diplomata aposentado Frank Wisner, que fora enviado especial de Washington ao Cairo para dar o “recado” ao presidente Mubarak de que a mudança deveria começar imediatamente, fez uma intervenção bombástica.
Sem avisar Hillary Clinton, ele a contradisse, afirmando que a permanência de Mubarak na presidência até setembro era fundamental para que a transição se desse de forma ordenada, isto é, de forma a não romper a “pax romana” da região.
A saia justa foi de tal tamanho que seguiram-se declarações do Departamento de Estado dos EUA de certa

terça-feira, 27 de julho de 2010

ÁS VÍCERAS

Por Brizola Neto - TIJOLAÇO.
Documentos expõem mortes de civis no Afeganistão.
No momento em que se investiga a morte de 45 civis em um ataque aéreo na província afegã de Helmand na última sexta-feira, o site Wikileaks entregou à imprensa internacional um relatório com mais de 90 mil documentos militares secretos dos Estados Unidos, revelando, entre outros detalhes, informações sobre mortes não divulgadas de civis afegãos.
Em abril, mostramos aqui um video divulgado pela Wikileaks em que um helicóptero Apache dos EUA destrói um veículo que levava um jornalista da Reuters ferido para o hospital. O ataque causou a morte de 12 pessoas, e o áudio que acompanha o vídeo mostra a sordidez dos soldados americanos ao alvejarem os civis.
Como era de se prever, o que sabemos em termos de vítimas inocentes é muito menos do que realmente acontece no Afeganistão e em todos os lugares em que os EUA se envolveram em guerras. Os documentos indicam que muitas mortes de civis no Afeganistão foram causadas por bombas colocadas em estradas ou resultado de erros em missões da Otan, que não foram registradas. O dossiê expõe as dificuldades dos EUA no Afeganistão, e isso ainda antes de Obama ter aumentado o contingente e os recursos para a guerra.
Um dos documentos, publicado pelo The Guardian, fala de como foi tratado um incidente envolvendo fuzileiros navais americanos, que depois de serem atacados por um homem-bomba, percorreram a distância de 4km do local do ataque até a base disparando seus fuzis em tudo que estava a frente deles: garotas adolescentes, homens em seus carros, idosos que caminhavam pela estrada. O saldo da carnificina foi a morte de 19 civis desarmados e 50 feridos.
Porém, nada disso foi registrado no relatório inicial dos fuzileiros, que diz apenas que foram atacados por um homem-bomba e por tiros vindo de diferentes direções, simultaneamente. Os fuzileiros voltaram ao local do ataque duas horas depois e arrancaram as máquinas fotográficas e câmeras dos repórteres que estavam no local.
O fato foi alvo de uma investigação militar que resultou em um relatório de 12 mil páginas, mas para o público foi relatado apenas que a unidade voltou à base.
O fundador do Wikileaks, Julian Assange, afirmou que os documentos revelam que a coalizão internacional pode ter cometido crimes de guerra, o que caberá a um tribunal decidir. Segundo matéria publicada pelo The Guardian, um dos jornais que teve acesso aos arquivos, pelo menos 195 mortos civis estão registrados, um número “provavelmente subestimado porque vários eventos controversos são omitidos nos relatórios diários das tropas no terreno”.
O Conselho de Segurança Nacional dos EUA condenou a divulgação do documento, mas em nenhum momento negou seu conteúdo. A tentativa do gverno norte-americano é desqualificar a Wikileaks, com o argumento de que a organização se opõe à política americana no Afeganistão.
A Wikileaks até hoje não cometeu erros nos documentos e imagens que divulga e não pode ser tachada de irresponsável. As publicações que receberam os documentos afirmaram que não tiveram contato com a fonte primária do vazamento, mas que passaram semanas checando os dados a ponto de terem confiança em publicá-los.
Além das mortes de civis, os documentos mostram que uma unidade secreta formada por forças especiais do Exército e da Marinha dos EUA conduziu missões para “capturar ou matar” líderes da milícia talibã. E preocupações da OTAN com a ajuda de países vizinhos ao Afeganistão, como Paquistão e Irã, a rebeldes talibãs. Será que os EUA vão passar a tratar o Paquistão, a quem dão ajuda militar anual de US$ 1 bilhão, da mesma maneira como fazem com o Irã?

quinta-feira, 8 de julho de 2010

HOLANDESES SEM FÉ

PAUL DOYLE é redator-chefe de futebol do jornal britânico "The Guardian"
Tradução de CLARA ALLAIN
A Espanha é quem se esforça para provar que o legado holandês não é idealista demais.
AMSTERDÃ É famosa por sua atitude permissiva em relação ao consumo de drogas, mas isso não significa que os holandeses saudarão a experiência psicotrópica que podem viver no fim de semana, porque a Holanda pode estar prestes a descobrir como é ser inglês. Vêm dores de cabeça pela frente! A Inglaterra é o país que inventa esportes e então assiste, raivosa e frustrada, ao resto do mundo fazer mais sucesso e se divertir mais com eles.
Essencialmente, ser inglês é ser traído. Isso faz muito mal à moral -mas faz bem à indústria de cerveja local.
A Holanda, como bem sabemos, é o lar ancestral do "Totaalvoetball" (futebol total), o estilo fluido do qual foram pioneiros o Ajax, de Rinus Michels, no final dos anos 60 e a seleção holandesa nos anos 1970. Esses times eram comparáveis a grupos de jazz de formato livre, em que cada atleta era um artista, e cada posição, uma fonte de criatividade.
Mas a Copa se manteve fora do alcance de Johan Cruyff e cia., e os holandeses perderam sua fé. Por isso, o técnico Bert van Marwijk emprega dois meio-campistas destruidores, De Jong e Van Bommel, o que faz dele não tanto um descendente de Michels, mas sim par de gurus como Domenech e Dunga.
Porém a Espanha, rival da Holanda no domingo, esforça-se para provar que o "Totaalvoetball" não é idealista demais para triunfar -de fato, os dois rivais de ontem tentam perpetuar o legado holandês, e, como o fazem bem, Espanha e Alemanha fazem um futebol mais bonito e mais perigoso do que a Holanda. Assim, as evidências até agora apontam para uma derrota holandesa. Mas o futuro ainda não foi escrito, e Van Marwijk pode mudá-lo, voltando-se pelo menos um pouco para o passado de seu país.
Se abrisse mão de um de seus zeladores do meio-campo- de preferência Van Bommel, que é menos dinâmico e mais brutal do que De Jong-, poderia substituí-lo por força mais criativa, especificamente Van der Vaart, que, ante o Uruguai, mostrou inteligência e precisão necessárias para virar o jogo para a Holanda. Se optar por Van der Vaart diante da Espanha, Van Marwijk pode evitar formar trindade nada santa com a Inglaterra e com Dunga. E pode ser endeusado não só como vencedor da Copa mas como o homem que promoveu a ressurreição, pelo menos parcial, do "Totaalvoetball" holandês.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

THE GUARDIAN - O ACORDO.

The Guardian: O acordo Brasil-Irã-Turquia.
O acordo nuclear Brasil-Irã-Turquia
Stephen Kinzer, The Guardian.co.uk - The Guardian, UK
Tradução - Caia Fittipaldi
Os acontecimentos e notícias empolgantes que chegam de Teerã, de acordo afinal firmado, que pode ter evitado crise global em torno do programa nuclear iraniano é desenvolvimento altamente positivo para todos – exceto para os que, em Washington e Telavive, estavam à procura de qualquer pretexto para isolar ou atacar o Irã.
Também marca o nascimento de uma nova força altamente promissora no cenário mundial: a parceria Brasil-Turquia.
Semana passada, o primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan e o presidente Luis Inácio Lula da Silva do Brasil adotaram, em conjunto, a abordagem clássica do “um gentil, outro durão”, para aproximarem-se dos líderes iranianos. Lula anunciou que iria a Teerã, o que deu aos iranianos esperança de algum acordo. Mas era indispensável também a presença da Turquia (onde o urânio será tratado), e Erdogan fez-se de difícil.
Na 3ª-feira, Ahmet Davutoglu, o muito experiente ministro das Relações Estrangeiras da Turquia, anunciou que Erdogan não iria ao Irã, a menos que os iranianos manifestassem algum interesse em firmar algum acordo. “Não é hora para encontros trilaterais sem objetivo preciso”, disse. “Queremos resultados. Sem perspectiva de resultados, não iremos ao Irã.”
Na 6ª-feira, Erdogan endureceu ainda mais. Disse que a planejada viagem a Teerã estava cancelada, porque o Irã “não se manifestara sobre a questão”.
Poucas horas depois, a secretária Hillary Clinton telefonou ao Chanceler turco e empenhou-se em desencorajar a iniciativa dos diplomatas brasileiros e turcos. Porta-voz do Departamento de Estado dos EUA disse que a sra. Clinton ‘alertou’ o ministro turco para não confiar nos iranianos, cujo único interesse seria “fazer qualquer coisa para impedir as sanções pelo Conselho de Segurança, sem dar qualquer passo para suspender seu programa nuclear militar.”
Depois do telefonema, um pouco precipitadamente, de fato, a secretária Hillary previu publicamente que o esforço dos presidentes Lula e Erdogan fracassaria.
O que se sabe hoje é que a secretária Clinton pode não estar trabalhando corretamente pela pauta política da Casa Branca. Enquanto ela falava em Washington, funcionários turcos anunciavam aos jornalistas em Ankara, off-the-record, que haviam recebido encorajamento do próprio presidente Obama, para insistir no trabalho de mediação e continuar pressionando em busca de algum acordo. Pode ser, é claro, ‘divisão’ planejada das forças nos EUA, para cobrir todas as posições, o que implica que EUA, sim, anteviram a possibilidade de serem derrotados no front diplomático: Clinton faria a parte mais difícil e preservaria a posição do presidente como ‘mediador’ e interessado mais em acordos que em confrontos. Seja como for, já sugere alguma fragilidade na posição da secretária de Estado, ou seu isolamento, no círculo mais alto dos estrategistas de Obama para as questões mundiais cruciais.
Alguns, em Washington, tentarão ver no acordo apenas um modo para salvar as aparências e livrar o Irã de confronto direto com EUA e União Europeia. Seja como for, outros verão de outro modo. Ali Akbar Salehi, chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, vê perspectiva mais positiva. Semana passada, já havia anunciado que o Irã buscava um acordo, contando com a mediação política do Brasil e da Turquia “para dar aos EUA e outros países ocidentais um modo de escaparem da situação de impasse que criaram, com tantas ameaças.”
Em todos os casos, o que se viu foi que negociadores competentes em negociações bem encaminhadas por dois líderes mundiais, destruíram a versão, difundida por Washington, de que o Irã não faria acordos e teria de ser ‘atacado’, por sanções; antes, claro, de que os EUA considerassem “todas as opções” – inclusive o ataque militar, para impedir o progresso do programa nuclear do país.
Fato é que Turquia e Brasil, embora em pontos opostos do planeta, têm muita coisa em comum. São dois países territorialmente grandes que passaram longos anos sob ditadura, mas conseguiram alterar essa história e andar pacificamente na direção da plena democracia. Os dois países têm hoje, na presidência, políticos dinâmicos e experientes, que comandaram importante processo de recuperação econômica nos seus respectivos países. Os dois países, além do mais, já emergiram como potências regionais, mas aspiram ao nível de potências como Rússia, Índia ou mesmo a China. Nem Turquia nem Brasil podem sobreviver sozinhos entre esses gigantes. Mas, juntos, formam uma parceria que tem inúmeras possibilidades de sucesso.
Brasil e Turquia são os países que mais abriram novas embaixadas pelo mundo, nos dois últimos anos. Uma vez por ano, os principais diplomatas turcos voltam a Ancara para ampla reunião de trabalho. Na reunião de 2010, ocorrida em janeiro, o ministro das Relações Exteriores do Brasil Celso Amorim foi um dos principais conferencistas convidados.
Turquia e Brasil foram, por muitos anos, apoiadores ‘automáticos’ de Washington, mas agora começam a assumir o timão e determinar a própria rota. Preocupados com o que veem como violento unilateralismo norte-americano, que desestabiliza imensas regiões em todo o mundo, os dois países têm evitado todos os confrontos internacionais, ao mesmo tempo em que trabalham incansavelmente para promover acordos que visem à pacificação. Por muito feliz coincidência, os dois países são hoje membros não-permanentes do Conselho de Segurança. A posição deu-lhes os meios para intervir na questão iraniana; que os negociadores e presidentes de Turquia e Irã usaram com talento e competência excepcionais.
Durante a Guerra Fria, o Movimento dos Não-alinhados tentou converter-se numa “terceira força” na política mundial, mas fracassou, porque reunia países grandes demais, separados demais e diferentes demais. Turquia e Brasil emergem agora como a força global capaz e competente para diálogos e acordos que o Movimento dos Não-alinhados jamais antes conseguira ser.
NO BLOG; Vi o Mundo - O que você na vê na mídia.
Quando o presidente Lula falou em Moscow que havia 99% de acerto com o Irâ, falei para amigos. Pode ter certeza que essa negociação já foi realizada, não se faz uma negociação de dificil solução num fim de semana.
Parabéns ao metalúrgico e a seu ajudante de ordens (min. Celso Amorin) , que está dando aula de Relações Internacionais em Lampreia, Ricupero, Celso Lafer (o homem que tira os sapatos) e outros aposentados do Itamarati, que são chamados pela mídia (Globo News) para dizerem amem.
A elite entreguista que sempre governou este País deve estar puta de raiva e inveja, alguns deles só faltaram colocar os dois dedos indicadores naquele "lugar" e rasgar de raiva!
Lá se foi o tempo de humilhação, que passamos nos tempos de FHC, os outros, que sempre nos envergonhavam, só sabiam dizer "sinhô, sinhô, sinhô......."
A grande mídia como sempre, esnobando o Lula, ele um nato negociador, fez o que seria impossível. A turma do Milleniun: Chapeludo, Cineasta, Augusto Nunes, está roendo as unhas.