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sábado, 18 de setembro de 2010

EU VOU SAIR DO PSDB

Aécio falou, sim, que sairá do PSDB.
O ex-governador Aécio Neves trocou a entrevista coletiva que seus assessores anunciaram, por um comunicado no qual desmentiu, longe das interrogações dos jornalistas, que vai sair do PSDB conforme reportagem que publiquei na edição da revista CartaCapital que está nas bancas.
Eu afirmei: “Há duas semanas, em um jantar no Rio de Janeiro, o ex-governador Aécio Neves se empolgou ao falar da necessidade de reformas políticas no Brasil e, para sustentar os argumentos que desenvolvia junto a um grupo restrito de amigos, ele anunciou: “Eu vou sair do PSDB”.
Aécio desmentiu: “Essa informação não tem qualquer fundamento. É mais uma especulação infundada, sem qualquer relação com a realidade, a exemplo dos mesmos boatos que, ano passado, davam como certa minha saída do PSDB. O PSDB é minha casa e, não apenas vou permanecer nele, como estou lutando para dar ao partido uma bela vitória em Minas”, diz a nota distribuída na sexta-feira, 17.
O ex-governador não negou, no entanto, o jantar. E me surpreende que o anfitrião, Alexandre Accioly, um dos maiores empreendedores da área de entretenimento no Rio de Janeiro, tenha entrado em cena para dizer que o apartamento dele é em Ipanema e não em Copacabana, como indiquei, e que o jantar foi a mais de dois meses e não em duas semanas como informei.
Confesso que errei. Mas o meu erro termina aí. Aécio desmentiu a afirmação, mas, não desmentiu o encontro.
Ao longo dos embates internos que travou, e perdeu, com os tucanos paulistas quando tentou abrir

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O EXEMPLO DE TANCREDO

Por Mauricio Dias.
Aécio Neves, ao tomar a decisão de abandonar o tucanato, espelha-se no avô. De caso pensado?
Não é por estar envolvido de corpo e alma na campanha para eleger seu substituto, Antonio Anastasia, ao governo de Minas Gerais, e muito menos por distração política, que Aécio Neves deixou de se manifestar sobre as recentes denúncias, encampadas por José Serra, para tentar desestabilizar Dilma Rousseff. É um silêncio significativo. Expressivo como um risco de giz. A metáfora, possível de ser imaginada, que separa o território de atuação da oposição mineira e da oposição paulista. Ambas adversárias do governo Lula. Só que a primeira é democrática e a segunda é golpista.
As duas convivem, no PSDB, por um tempo longo demais, considerando as divergências políticas que emergiram mais claramente quando os paulistas cortaram as asas de Aécio pretendente à candidatura à Presidência pelo partido. Foi a gota d’água para um tucano disposto a voar. José Serra, ainda governador, bloqueou as prévias internas que Aécio propunha e forçou o mineiro a abrir espaço para mais uma candidatura paulista. Aos 68 anos, Serra não tem mais tempo para esperar, porque, conforme anunciou no palanque que a revista Veja lhe ofereceu, preparou-se a vida inteira para ser presidente. E, tudo indica, fracassou.
Há duas semanas, em jantar no Rio de Janeiro, o ex-governador Aécio Neves empolgou-se ao falar da necessidade de reformas políticas no Brasil e, para sustentar os argumentos que desenvolvia junto a um grupo restrito de amigos, ele anunciou: “Eu vou sair do PSDB”, na casa de um empresário, em Copacabana, cercado de convidados importantes.
O cenário entre ele e os tucanos é de desgaste absoluto, embora no quadro da campanha presidencial cumpra, em Minas, segundo maior colégio eleitoral do País, o ritual da fidelidade ao candidato do PSDB. Ele arregaça as mangas por Serra, mas o esforço cessa no momento em que a solidariedade partidária pode pôr em risco o projeto que o ex-governador mineiro tem. Assim, a forte reação do eleitor mineiro excluiu a

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O FATOR PT

Maurício Dias, CartaCapital.
Pesquisa Ibope: 47% dos eleitores manifestam preferência partidária, com larga vantagem para o Partido dos Trabalhadores.Como numa viagem redonda, os eleitores brasileiros são bombardeados, em 2010, com a mesma questão de 2002, quando a oposição usava medonhos artifícios para tentar afugentar eleitores de Lula para Serra. Está gravada no dicionário das afirmações precipitadas a frase do especulador George Soros, de que, se o Partido dos Trabalhadores ganhasse, seria “o caos”. Arminio Fraga, pupilo, ex-empregado de Soros e ex-presidente do Banco Central do Brasil no governo FHC, reaparece agora na imprensa e dá continuidade à farsa. Segundo ele, “a crise em 2002 foi baseada no medo do projeto do PT”.

Nascido da mobilização de movimentos sociais com diversas visões políticas do mundo, o PT, com suas contradições e conflitos internos, estabilizou-se politicamente com uma folgada maioria moderada. Na última disputa para a direção do partido, dois candidatos moderados de esquerda arrastaram 65% dos votos. As chapas mais à esquerda, somadas, levaram 23,9% dos votos. Mais de 500 mil filiados participaram da eleição.
Certamente, haverá, e haverá sempre, os que acham possível ganhar a eleição para fazer a revolução. Eles animam o debate. Salgam a Terra, de certa forma. Esses anseios de radicalização são travados, no entanto, exatamente pelo enraizamento do PT na sociedade.
À margem dos números sobre a corrida presidencial, a pesquisa Ibope, divulgada dia 6, apresenta informações preciosas sobre o quadro partidário brasileiro: o PT aparece disparado, com 26%, na preferência partidária dos eleitores, seguido longinquamente pelo PSDB e pelo PMDB, ambos com 6% cada. Talvez pela filiação e pela candidatura de Marina, o Partido Verde parece ter germinado. Pela primeira vez obteve 2% das preferências. Outros 26 partidos com registro no TSE alcançaram 1% ou menos.
Isso derruba o argumento da inflação de partidos no País. Não passam de três ou quatro os que conseguem expressão nacional. Partidos para valer.
Essa forte preferência pelo PT pode ter sido o agente provocador de um impacto positivo no comportamento político da sociedade: 47% da população manifesta preferência partidária, ante uma apertada maioria de 49% que afirmam não ter simpatia por partido nenhum.
O argumento de que essa força petista refletida na pesquisa está inflada pelo sucesso do governo Lula não desqualifica o resultado. De fato, durante os dois governos de Lula, a filiação ao PT aumentou em 45%. Isso, por outro lado, mostra a solidez dos números que apontam para a consistência da votação de Dilma na eleição presidencial.
O PT não só não acabou, como “essa raça” parece que terá vida longa para desgosto de políticos como o ex-senador Jorge Bornhausen, autor da expressão preconceituosa. Isso porque 62% dos eleitores que demonstram preferência pelo partido estão na faixa dos 16 aos 29 anos.
Diversos itens da pesquisa apontam uma distribuição homogênea nos percentuais de simpatizantes do PT, como, por exemplo, na categoria sexo, com 27% de homens e 25% de mulheres. O mesmo ocorre com a distribuição do simpatizante pela condição do município: 32% estão na capital, 26% na periferia e 23% no interior.
A preferência pelo PT demonstrada por essa parte da população pode ter variadas motivações. Mas talvez seja, também, reação à noção elitista que sempre governou para 20 milhões de pessoas este país, que hoje alcança 190 milhões de habitantes.