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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

COM O PÉ NA LAMA

Por Hildegard Angel, do Blog da Hildegard Angel.
Dilma mostra a sua cara na hora da tragédia e estabelece novo padrão de comportamento do poder público!
Porque me ufano de minha presidenta Dilma Rousseff! Leio no jornal que, quando a presidenta Dilma, no primeiro momento da catástrofe, resolveu vir pessoalmente  à Região Serrana do Rio conferir a tragédia, uma turma de "assessores" do Planalto tentou dissuadi-la de vir, "porque o governo não teria o que apresentar para enfrentar o drama das chuvas". Leia-se, nas entrelinhas desses insensíveis macLuhans de improviso, "para não se expor e não ter a imagem associada a este momento ruim". Devem ter sido os mesmos assessores que impediram o presidente Lula de vir a público, no primeiro momento da tragédia do acidente da Tam, fazendo-o se representar por um porta-voz...
Naquela ocasião, isso me causou tamanho desconforto e estranheza, dado sobretudo ao conhecido temperamento sentimental e solidário do presidente, que sentei-me diante do laptop e desabafei num artigo duro, severo, condenando-o por sua ausência naquela hora em que escutá-lo e sentir sua  dor  junto à de seu povo eram o mais importante. Acho que Lula não gostou, pois, de lá pra cá, passou a me olhar com um jeito atravessado, mesmo sabendo que tinha e tem em mim uma grande admiradora na mídia. Fiquei bem triste, até desolada, mas aprendi que o jornalista que ousa ser sincero tem um preço alto a pagar. Porém, é o meu papel, o que hei de fazer?...
Por isso, meu júbilo imenso ao saber que a presidenta Dilma não se acanhou diante dos palpites dos que aparentemente tentavam "preservá-la", mas que de maneira concreta a estariam expondo a um possível julgamento equivocado da população. Esses mesmos maus conselheiros grassam por todo o país, cochichando palpites errados aos ouvidos de governadores e prefeitos, que raramente se mostram quando a notícia é ruim. Mandam em seus lugares o vice, o secretário, o assessor. Nossa presidenta Dilma, ao contrário, mostrou a cara e, não só isso, também se eximiu de culpar estado ou município.  Assumiu a responsabilidade do governo federal por não ter atuado a contento nos setores de saneamento e habitação e chamou a si, ao seu governo, a tarefa de fazer isso. Dilma estabelecia, naquele momento, um novo padrão, que esperamos nosso poder público como um todo doravante siga... 
A presidenta Dilma calçou as galochas e foi ver a calamidade.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Á COMPANHEIRA - MARISA LETÍCIA LULA DA SILVA

A homenagem a Dona Marisa, esposa do ex-presidente Lula

Presidente Lula e Dona Marisa
A jornalista Hildegard Angel, pela repercussão que se observa na blogosfera progressista, talvez tenha prestado a mais bela homenagem a esta importante personagem da vida pública brasileira nos últimos oito anos. Eu não teria uma única vírgula a acrescentar a um texto deste quilate, que também reproduzo, com meus aplausos e toda a emoção.
MARISA LETÍCIA LULA DA SILVA, AS PALAVRAS QUE PRECISAVAM SER DITAS.
Por Hildegard Angel *
Foram oito anos de bombardeio intenso, tiroteio de deboches, ofensas de todo jeito, ridicularia, referências mordazes, críticas cruéis, calúnias até. E sem o conforto das contrapartidas. Jamais foi chamada de “a Cara” por ninguém, nem teve a imprensa internacional a lhe tecer elogios, muito menos admiradores políticos e partidários fizeram sua defesa. À “companheira” número 1 da República, muito osso, afagos poucos.
Dirão os de sempre, e as mordomias? As facilidades? O vidão? E eu rebaterei: E o fim da privacidade? A imprensa sempre de olho, botando lente de aumento pra encontrar defeito? E as hostilidades públicas? E as desfeitas? E a maneira desrespeitosa com que foi constantemente tratada, sem a menor cerimônia, por grande parte da mídia? Arremedando-a, desfeiteando-a, diminuindo-a? E as frequentes provas de desconfiança, daqui e dali? E – pior de tudo – os boatos infundados e maldosos, com o fim exclusivo e único de desagregar o casal, a família?
Ah, meus queridos, Marisa Letícia Lula da Silva precisou ter coragem e estômago para suportar esses oito anos de maledicências e ataques. E ela teve. Começaram criticando-a por estar sempre ao lado do marido nas solenidades. Como se acompanhar o parceiro não fosse o papel tradicional da mulher mãe de família em nossa sociedade.
Depois, implicaram com o silêncio dela, a “mudez”, a maneira quieta de ser. Na verdade, uma prova mais do que evidente de sua sabedoria. Falar o quê, quando, todos sabem, primeira-dama não é cargo, não é emprego, não é profissão?
Ah, mas tudo que “eles” queriam era ver dona Marisa Letícia se atrapalhar com as palavras para, mais uma vez, com aquela crueldade venenosa que lhes é peculiar, compará-la à antecessora, Ruth Cardoso, com seu colar pomposo de doutorados e mestrados.
Agora, me digam, quantas mulheres neste grande e pujante país podem se vangloriar de ter um doutorado? Assim como, por outro lado, não são tantas as mulheres no Brasil que conseguem manter em harmonia uma família discreta e reservada, como tem Marisa Letícia.
E não são também em grande número aquelas que contam, durante e depois de tantos anos de casamento, com o respeito implícito e explícito do marido, as boas ausências sempre feitas por Luís Inácio Lula da Silva a ela, o carinho frequentemente manifestado por ele. E isso não é um mérito? Não é um exemplo bom? Passemos agora às desfeitas ao que, no entanto, eu considero o mérito mais relevante de nossa ex-primeira-dama: a brasilidade.
Foi um apedrejamento sem trégua, quando Marisa Letícia, ao lado do marido presidente, decidiu abrir a Granja do Torto para as festas juninas. A mais singela de nossas festas populares, aquela com Brasil nas veias, celebrando os santos de nossas preferências, nossa culinária, os jogos e brincadeiras. Prestigiando o povo brasileiro no que tem de melhor: a simplicidade sábia dos Jecas Tatus, a convivência fraterna, o riso solto, a ingenuidade bonita da vida rural. Fizeram chacota por Lula colar bandeirinhas com dona Marisa, como se a cumplicidade do casal lhes causasse desconforto.
Imprensa colonizada e tola, metida a chique. Fazem lembrar “emergentes” metidos a sebo que jamais poderiam entender a beleza de um pau de sebo “arrodeado” de fitinhas coloridas. Jornalistas mais criteriosos saberiam que a devoção de Marisa pelo Santo Antônio, levado pelo presidente em estandarte nas procissões, não é aprendida, nem inventada. É legitimidade pura. Filha de um Antônio (Antônio João Casa), de família de agricultores italianos imigrantes, lombardos lá de Bérgamo, Marisa até os cinco de idade viveu num sítio com os dez irmãos, onde o avô paterno, Giovanni Casa, devotíssimo, construiu uma capela de Santo Antônio. Até hoje ela existe, está lá pra quem quiser conferir, no bairro que leva o nome da família de Marisa, Bairro dos Casa, onde antes foi o sítio de suas raízes, na periferia de São Bernardo do Campo. Os Casa, de Marisa Letícia, meus amores, foram tão imigrantes quanto os Matarazzo e outros tantos, que ajudaram a construir o Brasil.
Outro traço brasileiro dela, que acho lindo, é o prestígio às cores nacionais, sempre reverenciadas em suas roupas no Dia da Pátria. Obras de costureiros nossos, nomes brasileiros, sem os abstracionismos fashion de quem gosta de copiar a moda estrangeira. Eram os coletes de crochê, os bordados artesanais, as rendas nossas de cada dia. Isso sim é ser chique, o resto é conversa fiada.
No poder, ao lado do marido, ela claramente se empenhou em fazer bonito nas viagens, nas visitas oficiais, nas cerimônias protocolares. Qualquer olhar atento percebe que, a partir do momento em que se vestir bem passou a ser uma preocupação, Marisa Letícia evoluiu a cada dia, refinou-se, depurou o gosto, dando um olé geral em sua última aparição como primeira-dama do Brasil, na cerimônia de sábado passado, no Palácio do Planalto, quando, desculpem-me as demais, era seguramente a presença feminina mais elegante. Evoluiu no corte do cabelo, no penteado, na maquiagem e, até, nos tão criticados reparos estéticos, que a fizeram mais jovem e bonita.
Atire a primeira pedra a mulher que, em posição de grande visibilidade, não fez uma plástica, não deu uma puxadinha leve, não aplicou uma injeçãozinha básica de botox, mesmo que light, ou não recorreu aos cremes noturnos. Ora essa, façam-me o favor! Cobraram de Marisa Letícia um “trabalho social nacional”, um projeto amplo nos moldes do Comunidade Solidária de Ruth Cardoso. Pura malícia de quem queria vê-la cair na armadilha e se enrascar numa das mais difíceis, delicadas e técnicas esferas de atuação: a área social.
Inteligente, Marisa Letícia dedicou-se ao que ela sempre melhor soube fazer: ser esteio do marido, ser seu regaço, seu sossego. Escutá-lo e, se necessário, opinar. Transmitir-lhe confiança e firmeza. E isso, segundo declarações dadas por ele, ela sempre fez. Foi quem saiu às ruas em passeata, mobilizando centenas de mulheres, quando os maridos delas, sindicalistas, estavam na prisão. Foi quem costurou a primeira bandeira do PT. E, corajosa, arriscou a pele, franqueando sua casa às reuniões dos metalúrgicos, quando a ditadura proibiu os sindicatos. Foi companheira, foi amiga e leal ao marido o tempo todo.
Foi amável e cordial com todos que dela se aproximaram. Não há um único relato de episódio de arrogância ou desfeita feita por ela a alguém, como primeira-dama do país. A dona de casa que cuida do jardim, planta horta, se preocupa com a dieta do maridão e protege a família formou e forma, com Lula, um verdadeiro casal. Daqueles que, infelizmente, cada vez mais escasseiam. Este é o meu reconhecimento ao papel muito bem desempenhado por Marisa Letícia Lula da Silva nesses oito anos.
Tivesse dito tudo isso antes, eu seria chamada de bajuladora. Esperei-a deixar o poder para lhe fazer a Justiça que merece.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Do Blog da Hildegard Angel, no R 7.
Cancelada passeata de Dilma com Lula na Zona Sul.
Quando soube que José Serra também iria fazer passeata na orla no domingo, a campanha de Dilma Rousseff, muito sensatamente, resolveu transferir sua manifestação para a Zona Oeste - Bangu e Campo Grande. Será uma correata, modalidade criada por Sérgio Cabral, ainda com o joelho avariado, em que os candidatos vão de carro e as pessoas do lado correndo...
E este blog suspira aliviado pois, como bem havia previsto, seria uma temeridade as duas passeatas acontecerem ao mesmo tempo, no mesmo lugar, no mesmo dia, último domingo antes da eleição! Sem esquecer que de quebra vai ter também, e no mesmo local, a passeata do AVC e a passeata que a Globo convoca contra o Câncer de Mama...
Lula, macaco velho, não quer meter a mão nessa cumbuca, com tanta gente querendo arrumar pretexto para uma confusãozinha...

É MUITO DISSE ME DISSE

Do Blog da Hidegard Angel, R7
As contradições do caso da bolinha de papel e/ou fita durex.
O médico Jacob Kligerman, mais alta sumidade mundial em cirurgia de cabeça e pescoço, anuncia que vai processar o presidente Lula por ele dizer que o episódio da pancada de Serra foi uma farsa. Porém, é realmente de intrigar que um médico mande para casa em São Paulo - e de avião! - um paciente com suspeitas neurológicas, que se queixava de enjôos e dor de cabeça, depois de ter sido atingido por uma bolinha de papel e/ou um rolo de fita durex...
Além disso, é de surpreender que o mesmo médico não tenha aconselhado o paciente a recorrer a qualquer um dos vários hospitais públicos, no percurso da Zona Oeste até seu consultório na Zona Sul, considerando que vômito após uma pancada na cabeça é caso para preocupação. E também considerando que, há até menos de dois anos, o professor Kligerman era o secretário municipal de Saúde e saberia bem qual hospital da rede mais próximo indicar...
Sabendo-se que os problemas com cabeça, quando não se manifestam imediatamente, ocorrem até 24 horas depois, o dr. Jacob Kligerman seria irresponsável de mandar José Serra, assim mesmo, voar em seguida para casa. E, como todo o mundo científico sabe que o consagrado médico não é um irresponsável, ao contrário, é respeitadíssimo, fica no ar a dúvida: o que teria de fato acontecido ao candidato José Serra, que não foi internado nem imediatamente atendido em um hospital próximo?...
Daí é compreensível que Lula ache que alguém estaria mentindo ou que o povo ache que quem sabe os hospitais do Rio de Janeiro estariam infectados com a bactéria mortal e os de São Paulo não?...
PS.: Reforça essa dúvida o fato de José Serra ter, inicialmente, conforme uma fonte, insistido em não a fazer os exames radiológicos no Samaritano, o melhor hospital do Brasil, querendo realizá-la apenas no Albert Einstein, quando chegasse em São Paulo...
Vem de longe a amizade de Serra e Kligerman. Foi o dr. Jacob quem, num gesto de homem de caráter e de irmão, refugiou o amigo José Serra em sua casa, no Rio, quando este se escondia da turma do golpe militar, na época do terror governamental...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

ESSES FILH *& P%$#@$$$ !!!

Por Hildegard Angel, R7.
Denúncia gravíssima de reunião, ontem, de FHC com investidores estrangeiros interessados em privatizações.
Recebi hoje este e-mail impressionante. Uma denúncia gravíssima, que já repercute na internet, e que merece ser apurada pela grande imprensa e deve ser sabida por todos os brasileiros, para tirarem dela suas próprias conclusões.
Trata-se do encontro-jantar que houve ontem, em Foz de Iguaçu, reunindo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, falando em inglês para 150 investidores estrangeiros no Hotel das Cataratas. Exatamente às 21h30m, enquanto os candidatos Dilma Rousseff e José Serra debatiam na RedeTV, e este se esquivava de dar respostas concretas sobre possíveis intenções tucanas de privatizar ainda mais o Brasil, pois bem, naquele exato momento, naquele evento fechado, FHC teria feito uma palestra sobre a privatização da Petrobras, de Itaipu e do Banco do Brasil, além de outras “oportunidades” de negócios no Brasil. Segundo o jornalista mineiro Laerte Braga, a idéia inicial dos organizadores de realizar o evento no Hotel Internacional foi afastada para evitar presença de jornalistas. Laerte, que acompanhou o evento do lado de fora, recebendo as informações em conta-gotas, afirma em seu texto que FHC assumiu com os empresários o compromisso de venda dessas empresas em nome de José Serra.
Vou transcrever o texto, que está claro, muito bem explicado e no tempo presente de verbo, pois ele postou a matéria enquanto o evento acontecia, suprimindo algumas partes:
"Cada um dos investidores recebeu uma pasta com dados sobre o Brasil, artigos de jornais nacionais e internacionais e descrição detalhada do que José FHC Serra vai vender se for eleito. E além disso os investidores estão sendo concitados a contribuir para a campanha de José FHC Serra, além de instados a pressionar seus parceiros brasileiros e a mídia privada a aumentar o tom da campanha contra Dilma Roussef. Segundo FHC disse a esses empresários logo após ser apresentado pelo organizador do evento, “se deixarmos passar a oportunidade agora jamais conseguiremos vender essas empresas”.
Para o ex-presidente, é fundamental a participação desses grupo na reta final de campanha. A avaliação de FHC é que a campanha de Dilma sofreu um golpe com a introdução do tema religioso (o que foi deliberado pelos tucanos para desviar a atenção das pessoas dos reais objetivos do candidato José FHC Serra). É preciso, na concepção do ex-presidente arrematar o processo derrotando a candidata e impedindo-a de respirar nessa reta final.
O acordo com empresários internacionais em Foz do Iguaçu envolve a instalação de uma base militar norte-americana na região, desejo antigo dos governos dos Estados Unidos.
Para o ex-presidente também não há grandes problemas com a mídia privada “sob nosso controle”, mas é preciso evitar a divulgação de notícias mesmo que sejam pequenas ou de pequenos fatos e que possam prejudicar o projeto de venda do Brasil (...)".
Laerte informa que o evento "foi organizado por Raphael Ekman - Investor Relations at Tarpon Investment Group São Paulo e região, Brasil - que no momento ocupa cargo de Commercial Manager da Globosat (Setor Serviços Financeiros)”.
O jornalista conseguiu apurar a participação, no evento, dos senhores Alice Handy, Keith Johnson e Anjum Hussain, CFA, CAIA...
O fato é realmente grave e pode ser visto como um ato contra a soberania brasileira e seria importante tanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como o candidato José Serra virem a público esclarecer essa denúncia, que foi postada ontem, em texto assinado por Laerte, e pode ser lida no http://redecastorphoto.blogspot.com/2010/10/fhc-esta-acertando-venda-do-brasil-em.html
Nascido em Juiz de Fora, Laerte Braga é jornalista, já tendo trabalhado no mais importante veículo de seu estado, o jornal Estado de Minas, e, no Rio de Janeiro, no Diário Mercantil.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O POVO NÃO É BOBO DILMA LÁ É LULA DE NOVO ! !

Blog da Hildegard Angel, R7 - AFP PHOTO/ANTONIO SCORZA.
Os porquês de meu apoio à candidata Dilma Rousseff.
Conversando com meu amigo português Mario Vinhas, ele me perguntou por que eu apoio Dilma. Meu amigo é um homem de direita, que viveu grande prosperidade nos anos Salazar e que, sendo um dos acionistas da Skol, sofreu a perseguição da ditadura de esquerda na Revolução dos Cravos em Portugal. Passada essa fase radical, seu bens lhe foram devolvidos, como aconteceu com outros ricos portugueses. Hoje, Mario pode receber com Titá em sua fabulosa Quinta do Zambujal, onde a festa ora é em sua arena de touros ora na adega subterrânea, ao som de cantoras de fado e à luz de velas espessas, com a cera se derretendo amarela candelabros abaixo...
Digo isso para explicar que meu amigo Vinhas conhece as duas faces perigosas da mesma moeda. A direita e a esquerda. E sabe o quanto o radicalismo, de um lado e de outro, pode ser um risco para quem produz, para quem possui. Por isso, quando lhe disse o motivo de apoio a Dilma, ele me perguntou: “Você já escreveu isso? Publique, tem que publicar”...
Eu, que não sou comunista muito menos ativista política, mas apenas uma colunista social que olha para os lados, disse a Vinhas que o motivo que me leva a ser Dilma é muito simples: só comandado por um líder com olhar social o Brasil rico poderá continuar a ser cada vez mais rico e o Brasil classe média poderá continuar a sonhar em um dia ser rico. Sem um equilíbrio das forças riqueza x pobreza, sem uma preocupação com a justiça social, sem a diminuição das diferenças agudas, o Brasil rico, mesmo o Brasil muito rico, terá todo que se mudar para Miami. Ou se refugiar em seu apartamento em Paris, em sua quinta em Cascais, em sua penthouse em Manhattan, em seu resort nas Bahamas, correndo dos pobres aqui a lhes morderem os calcanhares, dos assaltantes a lhes colocarem revólver na cabeça...
Pois o miserável e o pobre, estes de agora, do Brasil de Lula, que já podem ter sua comida, sua geladeira, seu teto, seu fogão, não vão querer voltar ao estado de penúria e de desapreço vividos no Brasil de antes, quando os políticos insensíveis no comando viam o pobre como um mal desnecessário, a quem só eram dadas migalhas, quando eram...
Verdade é que, em nosso país, em todos os governos, sempre foram os ricos que mandaram. Houve roubo no governo Lula? Mas quem corrompeu? Quem? Os ricos, como sempre fizeram, em todas as épocas. Com isso, sempre tiveram o controle total da situação. Mas algo de errado ocorreu nesses anos de Lula. Algo que fez o miserável passar a sonhar com dias melhores, a classe "C" levantar a cabeça, ter dinheiro no bolso, abrir crediário, e a classe média, bem média, sair às ruas, lotar os bares, voltar a ir ao teatro e ao cinema, vestir-se na moda. Algo que criou novos dinheiros para novos ricos. Foi essa a nota fora do tom, que tanto aborreceu aos ricos imperiais deste país, que na verdade gostariam que aqui fosse uma monarquia, eles os nobres, perpetuando-se ad eternum, com meia dúzia de famílias mandando no Brasil...
São estes ricos imperiais, que, com seus instrumentos de poder, fazem a cabeça da classe média tradicionalista, daquelas pessoas de boa fé, do bem, que acreditam que os demais sejam à sua imagem e semelhança e, por isso, viram alvo fácil de mistificadores, da imprensa manipuladora, que na verdade está a serviço exclusivo não da informação, mas de seus próprios interesses. A esta imprensa não interessa um Brasil totalmente pensante e democratizado. Um Brasil com opiniões próprias e não tutelado por meia dúzia de articulistas comprometidos apenas com seu próprio sucesso, sua fama, seus salários, sua estabilidade total, parcial ou global. A esta imprensa não interessa um Brasil, por exemplo, com banda larga para todos...
Mas há ricos e ricos. O rico desenvolvimentista, que produz, forjado a partir de muito esforço e não de benesses e privilégios, este valoriza o trabalho de Lula/Dilma nesses oito anos. Este reflete e sabe da necessidade de uma sociedade mais justa, sabe que este agora é um caminho sem volta e só assim poderemos prosperar ainda mais. Um desses ricos é Jorge Gerdau Johanpetter, o homem do aço, que há duas semanas deu almoço para Dilma em Porto Alegre. Mas isso não saiu nos jornais. Não devia interessar...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

SIGILO, HONRA

Aos homens honrados que tiveram seu sigilo violado, e assim são todos eles, todos homens honrados…
Por Hildegard Angel
Realmente, são criminosas as violações do sigilo fiscal ou de qualquer outro tipo de sigilo a que têm direito os cidadãos brasileiros. O ministro Mantega, quando afirma que as violações na Receita Federal são muito mais numerosas do que as ora constatadas, faz aumentarem nossas preocupações com essas intrusões criminosas. Nada disso surpreende. O que é surpreendente é o pasmo generalizado da grande mídia diante de um fato notório que ela própria já propalou, no ano passado, com reportagens de TV que mostravam disquetes com a relação dos grandes pagadores de tributos sendo oferecidos e vendidos nas esquinas paulistas. Foi preciso se passar mais de um ano desde lá para a ficha desses órgãos de comunicação cair e eles verem nesse fato, que já lhe valeu matérias, motivo de escândalo, servindo a suas conveniências eleitorais. Escândalo era desde o princípio, mas então sem alguma motivação específica para lhe dar o relevo que agora ganha, favorecendo o candidato Serra.
Tal desfaçatez de alguns órgãos da imprensa também é um escândalo. O escândalo da hipocrisia, do falso moralismo, da manipulação da boa fé dos eleitores incautos, tentando-se com isso criar um fato novo, uma ilação mesmo que indireta com a campanha da candidata Dilma Rousseff, buscando mudar o rumo do ponteiro de suas pesquisas, que só faz mirar para o alto.
Agora, se vamos falar de escândalo, passemos direto ao principal, ao cerne, ao X da questão: àquilo que dá origem e motiva as desconfianças que levam bisbilhoteiros inconseqüentes (ou não) da Receita a fuxicarem as declarações de renda de homens públicos, seus parentes e seus correlatos, partindo da premissa, nem sempre verdadeira, de que onde há fumaça há fogo. Efetivamente escandaloso é, num país em que a corrupção é endêmica e generalizada, homens públicos fazerem beicinho e se permitirem ares de ofendidos quando são postos em situação de desconfiança.
Sugiro a esses homens honrados tratarem de rapidamente dirimir qualquer desconfiança tornando públicas suas declarações de renda e de seus familiares e sua evolução patrimonial, antes, durante e depois dos cargos públicos ocupados.
Passariam, assim, ao largo das inevitáveis conjeturas caluniosas, num Brasil em que figurinhas políticas carimbadas, supostamente vivendo apenas dos salários, “enricam” de um dia para o outro, mudam de bairro, de turma, de status, com o maior despudor e cara de ontem, e passam de burro de carga a pomposo cavalo de raça, dando baforadas ostensivas em charutos importados, arrotando vinhos das melhores cepas, desfilando mulheres-vitrines de joias, canetas Mont Blanc, valises Vuitton e quando mais grifes maior o descaramento daqueles que sabem que, de tanto ser roubado, o povo brasileiro até já se acostumou à triste sina, dando à tragédia tratamento de predestinação.