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sábado, 26 de fevereiro de 2011

A VIDA DE FIDEL CASTRO EM QUADRINHOS


biografia de fidel castro em quadrinhos

BIOGRAFIA DE FIDEL CASTRO EM QUADRINHOS.
A Editora 8INVERSO prepara para março o lançamento de “Castro”, biografia em quadrinhos sobre Fidel Castro, de autoria do premiado quadrinista alemão Reinhard Kleist. Inédita no Brasil, a obra aborda a vida do líder cubano desde a revolução de 1958 até seu afastamento do poder, como visto nos últimos anos. “Castro” é narrado por um jornalista que, na Cuba de 1958, pesquisa a vida de um líder rebelde chamado Fidel Castro. Subitamente, o jornalista vê-se envolvido na revolução que mudaria Cuba e marcaria o mundo para sempre.
A obra de 288 foi escrita e ilustrada por Reinhard Kleist, quadrinista premiado na França, Alemanha e Estados Unidos, e tem prefácio do jornalista alemão Volker Skierka, biógrafo de Fidel que também contribuiu com a pesquisa histórica para compor os textos de “Castro”. Para melhor ilustrar a obra, Kleist passou um mês em Cuba, em 2008, o que lhe rendeu também o livro de viagem em quadrinhos “Havana”. A tradução de “Castro” é assinada por Margit Neumann e Michael Korfmann.
Selo 8INVERSO Graphics é um dos destaques da editora.Esta é a terceira graphic novel publicada pelo selo 8INVERSO Graphics — e também o terceiro trabalho de Kleist lançado no Brasil pela editora. Em 2009, ainda em seu primeiro ano de vida, a 8INVERSO lançou “Johnny Cash – uma biografia”. Escrita e desenhada pelo artista alemão, a obra narra a vida do músico americano Johnny Cash. Em 2010, “Elvis”, organizada por Kleist e Titus Ackermann, editor da revista de quadrinhos alternativos Moga Mobo, reuniu os melhores quadrinistas da Alemanha em torno de diferentes períodos da vida do Rei do Rock.
“Castro” chega ao mercado brasileiro cinco meses depois de lançada na Alemanha. A 8INVERSO foi a primeira editora gaúcha a comprar direitos autorais do exterior já em seu primeiro ano de vida.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

GIBIS ERÓTICOS

Quadrinhos eróticos ganham força no mercado editorial.
Qadrinhos eróticos ganham destaque.
Pedro de Luna, Jornal do Brasil
Na origem da palavra, catecismo é uma instrução religiosa, o ensino oral da religião cristã. Porém, nos anos 50 e 60 os catecismos eram pequenas revistas que apresentavam o mundo erótico e do sexo para uma população de jovens que não tinham nenhuma informação a respeito. O erotismo continua em alta nos dias de hoje. Indo do sutil ao explícito, do sofisticado ao visceral, pululam no mercado edições dedicadas ao gênero. Há desde o virtuosismo do italiano Milo Manara, que tem o quarto volume de seu Clic lançado pela Conrad; aos Quadrinhos sacanas compilados pelo brasileiro Worney Almeida de Souza, que acaba de sair pela editora Peixe Grande; passando ainda pela autoficção da bela e misteriosa quadrinista Giovanna Casotto.
No caso de Worney, a artilharia é pesada: ele compilou uma série de quadrinhos com temas tabus, como bestialismo, homossexualismo, defloramento e... sexo espacial. São histórias originais dos anos 50 e 60, responsáveis pela iniciação sexual de muita gente. O critério de escolha foi procurar o que havia de mais inusitado:
– Estes quadrinhos serviram para que muita gente descobrisse o sexo, sem as limitações ou imposições da moral burguesa e da visão da Igreja Católica – explica. – Hoje a situação é muito diferente: o sexo é um produto de consumo que é enfiado pela goela de todos, especialmente os jovens. Virou um assunto banalizado. Os sites pornôs são um veiculo de consumo eficiente, mas não cumprem o papel dos antigos catecismos.
Animado, ele já está dando os últimos retoques no segundo volume, intitulado Quadrinhos sujos, que será dedicado às HQs americanas satirizando atores e atrizes do cinema e dos quadrinhos. Mas será que os leitores ficarão a vontade de ler qualquer um dos livrinhos em público?
– Creio que mesmo com toda a liberalidade que permeia as publicações eróticas ou pornô, ainda existe uma predisposição sobre a leitura pública de HQ eróticas. Mas, francamente, existem lugares e lugares para se abrir uma revista pornô!
Qualidade italiana.
O também jornalista Gonçalo Júnior acaba de lançar o segundo volume da série, também batizado de Maria erótica e o clamor do sexo (Editora Peixe Grande). Novamente o foco é a história em quadrinhos como alvo de censura, porém, desta vez o livro fala sobre a Edrel e a Grafipar, duas editoras de gibis que exploraram erotismo e foram vítimas do regime militar.
– Não era possível desvincular a história das esditoras do seu contexto político, uma vez que erotismo era apontado como arma dos comunistas para destruir a família brasileira – explica Júnior. – Foi preciso situar as duas editoras dentro da repressão da ditadura.
Milo Manara é um dos principais nomes do quadrinho erótico mundial. Sua fama mundial veio com a série Clic, sobre uma recatada dama da alta sociedade que descobre o prazer num clique de uma máquina. A Conrad Editora já lançou três álbuns no Brasil e promete o quarto volume em breve.
A mesma editora também lançou os três primeiros volumes de Bórgia, uma parceira de Milo Manara e o chileno Alejandro Jodorowsky, sobre a saga da família Bórgia, que ficou famosa no século 15 por dar ao mundo dois papas de reputação duvidosa e se tornaram símbolo de decadência da Igreja no fim da Idade Média.
Há ainda que destacar o álbum Giovanna, criado por Giovanna Casotto, a primeira quadrinista italiana a desenhar histórias eróticas. Inspiradas nas pin-ups dos anos 1950, a artista é famosa pelo realismo de suas ilustrações. Para aguçar ainda mais a imaginação do leitor, ela tira fotos de si própria nas mais variadas posições para depois utilizar como base de seus desenhos.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O SISTEMA

Por: Pedro de Luna O lado irônico da violência urbana
Guarda municipal carioca transpõe para nos quadrinhos as histórias do cotidiano.
Armando Pó tem um nariz de platina de tanto cheirar cocaína. Mas o bandido sempre esbarra em Raimundo Fosco, um Guarda Municipal que combate a violência no Rio de Janeiro. Toda história de ação tem um vilão e um mocinho, é o caso destes dois personagens criados pelo cearense Marcos Antonio Paz, 40 anos. Poderia ser só mais um quadrinista em busca de um lugar ao sol se não fosse por um detalhe interessante. O autor também é um GM na vida real e traz para o papel inspirações do dia-a-dia.
Ironicamente, meu nome de guerra na Guarda Municipal é Paz. – brinca Marcos.
Mas vamos do início. Antes de ser guarda, o artista era ilustrador free lancer e trabalhava para agências de publicidade e jornais criando histórias em quadrinhos institucionais, caricaturas, cartazes e criação de personagens. Tanto pra agências como para empresas e jornais. Apesar disso, a instabilidade financeira colaborou para o seu ingresso na GM-Rio, com um emprego formal. No novo trabalho, o morador da baixada fluminense começou a se inspirar em algumas ocorrências reais.
Me baseio muito nos acontecimentos da cidade. O episódio "O Aprendiz de bombeiro" teve como base o fato de eu ter me deparado durante um patrulhamento com o incêndio de um ônibus praticado por bandidos. Já no episódio "A queda" eu fiz uma alusão clara a derrubada do helicóptero da polícia por criminosos, ocorrida aqui no Rio. Enfim, muitas HQs têm como referências fatos ocorridos no nosso cotidiano. Acho isso importante, pois cristaliza esses momentos, por mais duros que sejam, para gerações futuras, servindo quase como documento de uma época.
De fato, Marcos pega pesado em suas críticas ao "sistema" e, claro, ao comportamento de alguns PMs e delegados (corruptos, largados, violentos, etc). Ele não tem medo de que a corporação leve a mal que um guarda faça críticas a ela publicamente?
Não, não vejo problema. Nas HQs existe a crítica como existe o elogio, o reconhecimento. Coisas que a mídia e o povo dificilmente fazem, afinal, notícias ruins sempre têm mais destaque, seja nos meios de comunicação, seja na roda de amigos no botequim da esquina, explica o desenhista.
Procuro ser imparcial,colocando nas histórias pessoas de carne e osso, com suas verdades e suas razões.
Outra característica marcante é que tanto o Fosco quanto toda a galeria de personagens são explicitamente cariocas. E o autor não vê o menor problema.
Fiz questão disso por gostar muito da cidade e pela sua riqueza tão diversificada de lugares, pessoas e costumes. Mas creio não haver o risco da falta de sintonia com leitores de outros estados apesar de alguns elementos das histórias serem típicos do Rio, como as gírias. Acho que essas particularidades não atrapalham, são até mais um elemento enriquecedor da HQ.
Por mais incrível que possa parecer, ele jura que não assistiu ao filme Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, que poderia ser apontado como uma inspiração. Mas elogia o longa-metragem Tropa de Elite, de José Padilha.
O filme mais corajoso que já vi por apontar o dedo pra muitas direções que antes ninguém apontava publicamente. Apesar disso não foi referência, pois o Fosco já vinha nessa linha há muitos anos. Mas ajuda como referência, claro.
Da mesma forma que ele não conhece o personagem Anjo da Noite, do niteroiense Sandro Araújo que, como ele, também está do lado bom da lei. Agente da Polícia Federal, ele criou um personagem que é seu alterego e lançou em livro. Isso sem falar no blog, onde ele comenta assuntos diversos relacionados à PF.
Claro que a intenção de Marcos Paz também é publicar as histórias do Fosco em livro, já que suas aventuras são produzidas nas horas vagas como um hobby. Da mesma forma, ele as divulga na internet e aguarda uma oportunidade maior.
Talvez seja cedo ainda, pois o site entrou no ar em dezembro último. O que busco inicialmente é o reconhecimento do Fosco diante dos leitores. É muito bom chegar em casa e ver a caixa de mensagens dele com algum comentário de alguém que você nem conhece.