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terça-feira, 6 de março de 2012


Apesar de ter desacelerado em 2011, o crescimento econômico do Brasil foi suficiente para ultrapassar o PIB do Reino Unido e colocar o país no sexto lugar entre as maiores economias do mundo, segundo ranking do banco alemão WestLB. 
Em 2011, o PIB brasileiro ficou em US$ 2,48 trilhões, acima dos US$ 2,26 trilhões registrados pelo Reino Unido.
O cálculo leva em conta a soma do produto trimestral dos países, convertida em dólares pela cotação média de cada período. O resultado coloca o PIB brasileiro a US$ 300 bilhões do PIB Francês, o quinto colocado em 2011 com US$ 2,56 trilhões.
Para o estrategista-chefe do WestLB, Luciano Rostagno, responsável pelo levantamento a economia brasileira deve ultrapassar a francesa em 2015, projeção que vai ao encontro da já feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
Embora esteja no topo do ranking quando se considera o tamanho das economias, o Brasil fica na rabeira do grupo dos BRIC e abaixo de outros países emergentes quando a comparação se dá no ritmo de crescimento. Por esse critério o país teve o oitavo maior crescimento anual (dentre os 46 países que já divulgaram esse dado) e o 28º maior crescimento no quarto trimestre de 2011, comparado a igual período do ano passado, atrás de vários países asiáticos, do leste europeu e inclusive latino-americanos, como México e Peru.
O analista da Austin Rating, Alex Agostini, afirma que o desempenho das economias asiáticas está relacionado à proximidade com a China, e que no caso dos países do leste Europeu, o ritmo de crescimento se deve à baixa base de comparação dos anos anteriores.
— Muitos desses países sofreram bastante com a crise, chegando a ter uma queda de dois dígitos no PIB, enquanto o Brasil continuou crescendo — afirma.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

DA TAXA TOBIN AO CONTROLE PÚBLICO DA BANCA


Em dezembro de 1997, quando a riqueza financeira representava 15 vezes o valor do PIB mundial, Ignacio Ramonet, então diretor do Le Monde Diplomatique, escreveu um célebre editorial, 'Desarmar os Mercados'. Nele, o ativista que foi um dos criadores do Forum Social Mundial alvejava a supremacia das finanças desreguladas que "contorna e rebaixa as nações e seus Estados", para disparar a indagação que guarda brutal atualidade nas ruas de Atenas, Lisboa, Madrid ou Roma: "Até quando as sociedades podem tolerar o intolerável?"
Na resposta, Ramonet lançaria a agenda que resistiu até a crise mundial de 2008 como o principal contrafogo progressista ao poder que viola a democracia impondo-se como um comanda paralelo à sociedade. A taxação das operações financeiras, a Taxa Tobin, associada - preconizava Ramonet- à supressão dos paraísos fiscais e ao maior controle sobre os lucros do capital, seria o grão de areia de uma luta global para travar e reverter a dominância da engrenagem financeira sobre a economia e a política.
Quinze anos depois, a massa da riqueza financeira hoje é 60 vezes superior ao PIB mundial. O colapso da engrenagem não ocorreu por conta do grão de areia, mas em decorrência da avalanche inerente ao vale tudo pró-cíclico da jogatina financeira. A crise de proporções sistêmicas encerrou um ciclo e um agenda. Não há mais sentido em colocar um grão de areia numa engrenagem colapsada nos seus próprios termos.
No dia 27 de janeiro, em entrevista a Carta Maior, durante o Fórum Social Mundial temático, em Porto Alegre, coube ao economista Luiz Gonzaga Belluzzo enunciar o passo seguinte desse processo: "A Taxa Tobin já é uma questão anacrônica. É preciso exercer o controle público sobre o sistema encarregado da gestão da riqueza capitalista. As agências de risco uniram-se à sanha privatista. Falsificaram uma função necessária. O controle público do sistema financeiro está posto na agenda da crise. Temos de controlar os elementos que produzem o mercado", resumiu o economista. No último dia 10 de fevereiro, um editorial do mesmo Le Monde Diplomatique, agora assinado pelo editor Serge Halime, endossa a travessia histórica indicada por Belluzzo. No momento em que taxar operações financeiras tornou-se um discurso incremental na boca de Sarkozy, Obama e outros, o Le Monde Diplomatique assume: "Poderíamos continuar a satisfazer-nos «atirando areia nas engrenagens do sistema financeiro»... Mas visto que este representa hoje, reconhecidamente, um bem público vital, usado para tornar a sociedade refém de sua lógica, temos também de avançar. E exigir que os bancos deixem de pertencer a interesses privados".

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O QUE QUEREMOS . . .

A Globo resume-se á um FANTÁSTICO DOMINGÃO DE CALDEIRÕES de indecência.
Para reabilitar sua audiência que cai a cada dia mais vale até mesmo virar um tele-cabaré.
A Globo, por si só, já é um estupro: estupro à nossa inteligência, ao nosso povo e ao nosso país. Ou a gente acaba com ela, ou ele acaba com o Brasil.
Quem se dispõe a participar dessa porcaria faz qualquer coisa por dinheiro. Ela não está indignada, não; só quer mais publicidade. Aliás, isso deve fazer parte do “jogo”, é um ótimo meio de conseguir mais audiência, pois, na certa, vai ter um monte de gente querendo assistir esse programa (?) pra ver se rola mais um caso desses.
Este é o resultado de se colocar numa pasta importante um ministro incompetente desses; tornando possível um suposto estupro em rede nacional.
A globo … o governo e a família brasileira impunemente sem que ninguém fale nada.
Presidenta Dilma Rousseff, não é só resultados de PIB e situação econômica que interessa não, a problemática moral é assunto de primeiríssima necessidade.
Que adianta ser um pais rico com um a população inteiramente depravada pelos “ensinamentos” de uma rede de televisão?

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

TUDO É SÓ PREVISÃO ??!?

** Evento mais importante da próxima semana, na 4ª feira reúne-se o Copom.
** em pauta, o primeiro ajuste de 2012 na taxa de juro brasileira.
** Selic de 11% tornou-se excrescência ortodoxa diante das condições saudáveis do país e da super liquidez internacional órfã de opções rentáveis e seguras de investimento.
** em troca de segurança, investidores pagam para guardar o capital em títulos do Tesouro americano ou alemão, que dão retorno inferior à inflação.
** Brasil oferece segurança e rentabilidade, mas juro real da ordem de 5,5%  é anomalia ideológica.
** taxa distorce o câmbio, penaliza a indústria, encarece a produção e asfixia o investimento público,consumindo  5% do PIB no serviço da dívida: mais do que o gasto federal em saúde ou educação.
**em recente captação internacional de US$ 750 milhões, Tesouro brasileiro pagou a menor taxa de juro da história (3,4%).
** por que manter a engorda rentista no plano doméstico?

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

SEXTA ECONOMIA

Brasil e Reino Unido.
O PIB brasileiro acaba de suplantar o dos ingleses. A área econômica do governo festeja a notícia, como refirmação da robustez de nosso parque produtivo. Sabemos que a crise européia tem grande participação por provocar estagnação econômica no bloco continental. O Brasil subiu, em parte pela competência de seus empresários, e em parte pela derrocada das economias européias. Mas o governo brasileiro devia, por obrigação e seriedade, mostrar os reflexos disso na vida de nosso povo. É de se imaginar que nossa vida esteja melhor ou igual à dos fleumáticos britânicos. Se não estiver, tem muita coisa errada na condução de nossos temas econômicos, não é verdade?

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

PLANO NACONAL DE EDUCAÇÃO

Ocupe Brasília quer 10% do PIB em educação; relatório propõe 8%.
Inspirados no Ocuppy Wall Street, estudantes acampam na Esplanada dos Ministérios para cobrar que investimento em educação dobre para 10% do produto interno bruto (PIB). Relator do Plano Nacional da Educação na Câmara eleva proposta do governo de 7% para 8%, diz que isso garante mais R$ 40 bi e que é o máximo que equipe econômica aceita.
Com estudantes acampados em frente ao Congresso desde o início do dia, a promover pelo menos até sexta-feira (9) um Ocupe Brasília em defesa do investimento de 10% do produto interno bruto (PIB) em educação, uma comissão especial da Câmara dos Deputados conheceu, nesta terça-feira (6), relatório que propõe 8% do PIB.
O parecer do deputado Ângelo Vanhoni (PT-PR) sobre o Plano Nacional de Educação (PNE) 2011-2020, que o governo mandou ao Congresso em dezembro de 2010, eleva a proposta original, que fixava o investimento em 7% - hoje são 5%. O que, segundo o parlamentar, injetaria mais R$ 40 bilhões na educação. Esse seria o máximo aceito pela equipe econômica, com quem Vanhoni vinha negociando.
O relator faz uma série de modificações no PNE original, mas não toca em pontos considerados fundamentais por militantes da área, como a discriminação dos percentuais a serem investidos por cada um dos entes federativos, em especial a União. E não atende às expectativas dos trabalhadores em educação em relação à valorização profissional.
Segundo a recém empossada presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Manoela Braga, que participa do Ocupe Brasília, os estudantes reconhecem o avanço de chegar a 8%, mas vão insistir em 10%. “8% é pouco reverter a decadência histórica da educação brasileira”, disse.
Ela afirmou que, nesta terça (6), 400 estudantes começaram a acampar e que o número vai crescer até sexta (9), quandos eles mesmo vão avaliar se adiantou alguma coisa e se vale à pena continuar o movimento.
O secretário de Formação Sindical da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), Gilmar Soares Ferreira, também garante que a entidade vai continuar brigando pelos 10%. “Nós entendemos que esta é a condição para o país mudar sua realidade e universalizar o acesso à educação pública de qualidade e garantir capacitação para nossos jovens, que padecem com o desemprego”, disse.
Comissão gosta.
A maioria dos deputados da comissão, porém, elogiou o relatório, que recebeu o número recorde de 3 mil emendas. Mas há quem insista em cobrar 10% do PIB. “Sabemos que o relator se esforçou muito, mas entendemos que seu papel é limitado. Nós, da comissão, é que teremos que garantir a aprovação de um percentual maior de investimentos”, disse a deputada Professora Dorinha (DEM-TO).
O deputado Ivan Valente (PSL-SP) disse que o percentual de 8% não será suficiente para o cumprimento das metas estabelecidas. “Esses 10% não são um número cabalístico. São 60 milhões de analfabetos, a maioria das crianças não estão em creches e não chegamos a 50% de presença de jovens no ensino médio. Além disso, o salário dos professores é baixo e a qualidade do ensino também”, alertou.
Segundo Vanhoni, seria possível votar o relatório ainda este ano.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

EURO EM TRANSE

**  greve geral contra arrocho fiscal paralisa a Itália nesse momento.
** contra a receita ortodoxa, Obama prepara um PAC anti-crise:  empregos e obras, a exemplo de Lula em 2007 e 2010.
** tucanato midiático faz terrorismo inflacionário contra corte de  juro.
**Delfim Netto: 'o mundo está literalmente vindo abaixo e ... sugere-se 'esperar para ver'! (Valor 06-09)
O DINHEIRO NÃO OBEDECE E NÃO HÁ NINGUÉM PARA DOMÁ-LO - O euro esfarela desde o início da crise mas  nesta 2ª feira ensaiou estrebuchar.  A União  Européia  praticamente não faz mais jus  ao nome. O laço monetário que a sustentava  deixou de ser um  trunfo para se consolidar em algoz. A Grécia, submetida à terapia ortodoxa para manter a moeda única, naufraga numa recessão que deixará de pé apenas as ruínas antigas, no dizer dos oposicionistas. O PIB deve cair  5,5% este ano. O descrédito é tamanho que  os credores exigiam ontem  taxas de juros de 50% para rolar a dívida grega por mais dois anos.  Eis o retorno  do pacote de arrocho imposto  pela Alemanha e o BCE  para escalpelar a sociedade e devolver confiança aos credores. A Grécia estáparalisada pela crise política:  governo, credores e  sociedade não se entendem. A exemplo de Atenas, a Itália patina nas mãos de credores que desacreditam da solvência de um país que deve 120% do PIB, é incapaz de arrecadar mais impostos da plutocracia, depende apenas de arrocho sobre os assalariados, tem um governante que se chama Berlusconi e está às voltas com uma greve geral que paralisa os transportes neste momento. Impasses semelhantes enfrentam a Espanha e Portugal. A crise aponta claramente as tarefas que se impõem. A salvação da UE pressupõe uma socialização do resgate fiscal de Estados periféricos atingidos no contrapé pela crise mundial. São duas as providencias  inadiáveis: a) arrecadar mais dos ricos e das grandes fortunas para desafogar o endividamento de Estados capturados pelo rentismo no  ciclo de alta liquidez neoliberal; b) lançar euro-bonus que diluam as fragilidades periféricas na força e na credibilidade das economia centrais, Alemanha e França, sobretudo. Angela  Merkel, porém, a dama-de-ferro conservadora resiste em fazer da UE  algo mais do que um quintal cativo das exportações germânicas.  Nem o aço ortodoxo de que é feitam todaviam resiste mais à corrosão da maré vazante. Derrotada  em sua própria base eleitoral nas eleições regionais de domingo último, Merkel deixou de ser referência (autoritária) de futuro para se transformar, ela própria, em fator de incerteza no presente. Bolsas da UE persistem em vermelho nest amanhã de 3ª feira. Em tempo:  e ainda há na mídia demotucana quem, de posse  plena de suas faculdades  mentais, classifique como  'precipitada' a redução de meio ponto na taxa de juro brasileira. O que seria do país se essa lógica ainda fosse governo? (Carta Maior; 3ª feira, 06/09/ 2011)

sábado, 3 de setembro de 2011

AGOSTO NEGRO

** AGOSTO NEGRO PARA O EMPREGO NOS EUA: a maior economia do planeta não abriu nenhuma vaga de trabalho no mês passado.
** BC acerta  em cortar juro.
** recessão mundial se agrava e PIB brasileiro perde força: avanço no segundo trimestre foi de apenas 0,8%.
** bolsas fecham a semana em queda nos principais mercados do mundo.A CAMAREIRA, O EX-MINISTRO E O ASSÉDIO DE 'VEJA' - "... Segundo boletim de ocorrência feito pelo chefe de segurança do Hotel Naoum, Gilmar Lima de Souza, a camareira Jôse Maia Medeiros foi abordada pelo repórter Gustavo Ribeiro (da revista Veja), que dizia ser hóspede de um dos dois quartos usados pelo ex-ministro (José Dirceu), por cessão do escritório de advocacia Tessele Madalena Advogados Associados. O repórter tentou convencer a camareira de que esquecera a chave dentro do quarto e pediu a ela para abri-lo. Jôse desconfiou e foi conferir o nome na relação de hóspedes. Não constava. Mais tarde, o repórter voltou ao hotel e hospedou-se na suite 1607, vizinha à de Dirceu. Era o dia 24 de agosto (...) Segundo a revista, o repórter estava lá para investigar "as atividades de um personagem que age sempre na sombra." (Leia entrevista exclusiva de José Dirceu a Maria Ines Nassif, André Barrocal e Lourdes Nassif; leia também o comentário de Venício Lima sobre 'o método Murdoch' de jornalismo; nesta  pág).

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O cálculo do PIB é muito mais complexo que esta explicação dada na reportagem, dá para melhorar e esclarecer o leitor de forma lúdica, que fica mais fácil de compreender.
A reportagem é útil para alertar que existe diferença entre PIB e "taxa de crescimento do PIB", pois, cada vez que é anunciado uma "previsão" de redução no crescimento do PIB (exemplos de 4% para 3,5%), parece que o mundo vai acabar "antes de 2012".
Daí vem os "economistas" pregar a recessão, calcular quanto se deixará (?) de fazer, mesmo com o país crescendo. Mas, o gráfico, ao meu ver, é inadequado para mostrar a evolução do PIB, seria mais didático se fosse o PIB e não a taxa de crescimento dele.

ENTENDENDO O PIB

Entenda o que é PIB e como é feito seu cálculo
O PIB (Produto Interno Bruto) é um dos principais indicadores de uma economia. Ele revela o valor de toda a riqueza gerada no país.
O cálculo do PIB, no entanto, não é tão simples. Imagine que o IBGE queira calcular a riqueza gerada por um artesão. Ele cobra, por uma escultura, de madeira, R$ 30. No entanto, não é esta a contribuição dele para o PIB.
Para fazer a escultura, ele usou madeira e tinta. Não é o artesão, no entanto, que produz esses produtos --ele teve que adquiri-los da indústria. O preço de R$ 30 traz embutido os custos para adquirir as matérias-primas para seu trabalho.
Assim, se a madeira e a tinta custaram R$ 20, a contribuição do artesão para o PIB foi de R$ 10, não de R$ 30. Os R$ 10 foram a riqueza gerada por ele ao transformar um pedaço de madeira e um pouco de tinta em uma escultura.
O IBGE precisa fazer esses cálculos para toda a cadeia produtiva brasileira. Ou seja, ele precisa excluir da produção total de cada setor as matérias-primas que ele adquiriu de outros setores.
Depois de fazer esses cálculos, o instituto soma a riqueza gerada por cada setor, chegando à contribuição de cada um para a geração de riqueza e, portanto, para o crescimento econômico.
Se por acaso a riqueza gerada é menor que a registrada anteriormente, fala-se em contração da economia. Dois trimestres seguidos de retração indicam a chamada recessão técnica.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Garantir recursos financeiros não é indicativo de que os recursos serão utilizados naquela finalidade proposta. Quem vai administrar e fiscalizar a aplicação desses recursos? Há muitos "tubarões" com interesse no atendimento dessa reinvidicação, pura e simplesmente por vislumbrarem uma "mina" de oportunidades escusas.
Muito mais tem que ser conquistado e debatido.
Superficialidades não nos ajudará.
A UNE entregando uma "pauta" de reivindicações ao governo federal seria de fazer rir sarcasticamente se não fosse para se chorar. Isto tudo não passa de um jogo de cartas marcadas, onde a UNE finge que é independente e combativa; finge que enfrenta e propõe suas próprias demandas (as dos estudantes); e o governo finge que ouve as "demandas" dos estudantes. Quando, na verdade, é evidente que a UNE hoje cumpre um papel importante para a manutenção da política privatista do PNE, legitimando aos olhos dos estudantes a política educacional federal.
Ademais, a UNE também é responsável pela pauperização política dos estudantes, reduzindo o debate às ... festas. Enfim, como as pessoas podem acreditar nesse teatro?
A UNE só quer pegar carona na Jornada de Lutas impulsionada pelas entidades combativas remanescentes neste país depois da cooptação dos movimentos sociais; isto para não parecer que tudo o que ela sabe fazer é festa (e aplaudir com entudiasmo a política educacional vigente).
Só a bandeira "agosto verde e amarelo" já deixa patente a essência pequeno-burguesa e filistéia dessa entidade: a UNE não se propõe mais à construção de uma nova sociedade, mas assume a ideia abstrata de uma nação verde e amarela, uma ideia perfeitamente compatível com a ideologia nacionalista da burguesia.
Se a UNE não questiona, nós questionamos: 10% do PIB para quem? Para as instituições privadas de ensino através do PROUNI? Para a expansão sem qualidade do REUNI? A questão, portanto, não é só o montante que se aplica na educação; ainda mais importante que isso é a política institucional por trás desse dinheiro, 10% sim, mas com re-elaboração do PNE, isto é, 10% aplicado integralmente na educação pública, gratuíta e universal!

AGOSTO VERDE E AMARELO

Marcha estudantil em Brasília vai pressionar governo e Congresso.
União Nacional dos Estudantes (UNE) pretende levar 20 mil manifestantes à capital federal na quarta-feira (31) para reinvindicar que investimento em educação seja de 10% do PIB e de metade das riquezas do pré-sal. Ameaçada de morte, líder estudantil chilena Camila Vallejo participará do ato e também de uma audiência pública no Congresso Nacional. A manifestação encerrará um mês de mobilizações estudantis feitas em todo o país, naquilo que a UNE batizou de “agosto verde e amarelo”.
Depois de ser ocupada por “margaridas” e por sem-terras, a Esplanada dos Ministérios será, pela terceira semana seguida, palco de manifestações de movimentos sociais. Desta vez, são os estudantes que vão pressionar governo e Congresso, com uma marcha na próxima quarta-feira (31). A União Nacional dos Estudantes (UNE) tem duas bandeiras principais. Aumentar o investimento em educação para 10% do produto interno bruto (PIB). E destinar ao setor metade das riquezas do pré-sal.
Segundo a entidade, 20 mil estudantes estarão em Brasília participando da marcha. O ato encerrará um mês de mobilizações estudantis feitas em todo o país, naquilo que a UNE batizou de “agosto verde e amarelo”. “Foi neste mês de mais pressão dos movimentos sociais que a nossa pauta entrou mais no Planalto”, disse à Carta Maior o presidente da UNE, Daniel Iliescu.
As atividades terão início às 9 horas, em frente ao Banco Central (BC), onde os estudantes pretendem se unir a sindicalistas e camponeses, para protestar contra a alta taxa de juros. No fim da quarta, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC anuncia se mexe ou não nos juros.
Do Banco Central, os estudantes seguirão para o Palácio do Planalto, para tentar entregar a pauta de reivindicações nas mãos da presidenta Dilma Roussef. Por ora, não há uma agenda marcada da presidenta com a UNE. Mas, no início do dia, Dilma deve se reunir com o ministro da Educação, Fernando Haddad, para discutir a situação do setor.
“Falta ousadia para o governo quando a discussão gira em torno dos 10% do PIB para a educação. Existe, claro, uma melhora no setor, mas ainda é tímida. Dessa forma, o Brasil desperdiça uma oportunidade única de investir na juventude e dar um salto significativo na educação”, afirma Iliescu.
PNE e Pré-sal.
Durante a jornada, a direção da UNE participará de uma audiência pública, no Congresso, convocada para discutir o novo Plano Nacional de Educação (PNE). O projeto, que tramita na Câmara dos Deputados, foi construído a partir das propostas debatidas na Conferência Nacional de Educação, muitas delas propostas pelo movimento estudantil.
O novo PNE propõe que o setor público amplie os investimentos em educação dos atuais 4,8% do PIB para 7%, até 2020. Os estudantes, entretanto, reivindicam que o percentual atinja 10% até 2014. O pleito é ousado. No ano passado, o gasto federal com toda a área social foi de 15% do PIB, segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Os 10% do PIB em educação também levam em conta dinheiro estadual e municipal.
Os estudantes vão cobrar ainda que a presidenta reveja o veto do ex-presidente Lula ao trecho da Lei do Pré-sal que estipulava a aplicação de 50% do fundo social na área da educação, conforme previa campanha lançada em 2009 pela UNE. A proposta foi aprovada pelo Congresso Nacional, mas vetada pelo poder executivo no final de 2010.
Solidariedade internacional.
Os manifestantes participarão ainda de audiência pública convocada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara em solidariedade aos estudantes chilenos, vítimas da truculência do governo daquele país. No último protesto promovido pelos chilenos em prol de melhorias na educação, na última quinta-feira (25/8), um estudante foi assassinado e outros ficaram feridos.
A líder estudantil Camila Vallejo, presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (FECh), participará do ato, que encerra a Jornada Nacional de Lutas, tradicionalmente promovida pelos movimentos estudantis, sindicais e sociais, no mês de agosto. Camila tem recebido ameaças de morte.

FACES DA CRISE

GOVERNO ATUA EM MODO DE ESPERA E O INSTITUTO FHC VIRA SUCURSAL DO TEA PARTY - Nem a elevação do superávit fiscal anunciada ontem pelo governo, nem a interrupção da escalada dos juros, aguardada para amanhã,no Copom, mudam a dinâmica do país nesse momento. O que o governo fez nesta 2ª feira, grosseiramente, foi trocar  seis por meia dúzia. Agregou mais R$ 10 bilhões do excesso de arrecadação de impostos até julho (crescimento recorde de 14% em termos reais) ao superávit primário , elevando-o de 3% para 3,30% do PIB. Em troca, o BC deve interromper a trajetória de alta da Selic na reunião desta semana. O patamar de 12,5% do juro básico brasileiro é um despropósito planetário comparado à taxa média de 1,5% praticada  na zona do euro e ao patamar de 0,25% tabelado pelo Fed, para os próximos dois anos, nos EUA. Foi graças à ortodoxia do BC que o país ingressou na crise de 2008 com esse trofeu anômalo. Reduções significativas, que façam diferença macroeconômica, exigem agora cortes drásticos num dos principais preços da economia. O ambiente de incerteza mundial  afasta essa opção da mesa dos governantes. A Presidenta Dilma dança o minueto da espera, com a respiração fiscal em suspenso. Não tomará qualquer medida graúda sem ter uma avaliação efetiva do estrago que a sarabanda da crise ainda fará no salão internacional. Imobilizados no redil ideológico do neoliberalismo, que subtraiu legitimidade à taxação efetiva da riqueza, do patrimônio e das grandes transações financeiras  -vide o golpe do Tea Party contra Obama, nos EUA, e a extinção da CPMF no Brasil, subtraindo R$ 40 bi à saúde pública, em 2007- os governos de fato perderam espaço de ação fiscal nas últimas décadas. Restou-lhes o abismo do endividamento público que no Brasil custa  6% do PIB em juros ao ano. A crise, os gastos extras que ela impôs e o comportamento arisco dos capitais em todo o mundo fechou agora esse ponto de fuga. Mudanças efetivas no investimento público em educação, saúde, infraestrutura, pesquisa etc dependem de uma mobilização política para romper essa camisa-de-força. Não é uma agenda para o conservadorismo nativo. Esse parece disposto a dobrar a aposta na eutanásia do Estado. Reunidos semana passada, em São Paulo, sábios de bico longo, por exemplo,  transformaram o Instituto Fernando Henrique Cardoso numa franchising do Tea Party. O ‘tucano party' deixaria Sarah Palin e o presidenciável Rick  Perry orgulhosos dos mascotes locais. Arida, Bacha & Cia advogaram a privatização de todos os fundos públicos (FGTS e PAT, por exemplo), ressuscitaram a bandeira do déficit fiscal zero e mandaram às favas responsabilidades republicanas com educação, saneamento etc. Seria importante conhecer a avaliação do PT sobre a plataforma do ‘tucano party'. O partido, porém, dificilmente teria algo de significativo a contrapor sem incluir uma ruptura com a doutrina fiscal do neoliberalismo. O Congresso do PT neste fim de semana pode ser uma boa oportunidade para essa demarcação de visões.  (Carta Maior; 3º feira, 30/08/ 2011)

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

NOVO MOTOR DA CRISE

** sindicatos espanhóis convocam manifestação gigante para 6 de setembro contra  introdução do arrocho fiscal na Constituição.
** proposta de Zapatero unifica protestos de operários e indignados.
** iniciativas de arrocho fiscal no mundo são desdobramento da crise de 2008: socorro aos mercados financeiros elevou em 130% as dívidas públicas dos países da OCDE.
**  Banco Central reúne-se nesta 3º feira para decidir o futuro dos juros no Brasil.
** encontro acontece em meio à desaceleração econômica e agravamento do quadro internacional.
BANCOS DA EUROPA TERÃO QUE OBTER  4 TRILHÕES DE EUROS ATÉ 2014 -'A banca do euro precisa ser recapitalizada', alertou Christine Lagarde, diretora-geral do FMI  na reunião conjunta do Fed com BCs de todo o mundo, na semana passada. Esse é o novo motor da crise. Nos próximos três anos, segundo o Financial Times,  a banca da UE terá que obter fundos da ordem de 4 trilhões de euros para garantir a liquidez de suas carteiras. A perspectva desse encontro com a hora da verdade move a fuga de fundos de investimentos que tem reduzido sua exposição na zona do euro elevando o custo de rolagem de passivos de bancos e governos. Falta coordenação e estratégia para deter esse processo. E essa é uma dimensão da crise sistemica: ela dissolve e anula  as próprias instituições ordenadoras da hegemonia financeira na atual etapa do capitalismo. Nesse salve-se quem puder errático e selvagem, alguns países dificilmente escaparão de um imprevisto. A dívida do setor privado espanhol, por exemplo, mediada pelos bancos, equivale a devastadores 170% do PIB. Zapatero tenta deter o tsunami prometendo arrocho fiscal eterno aos mercados, incorporando princípio ortodoxo à Constituição do país. Conseguiu unir operários e indignados contra o governo do PSOE a pouco mais de dois meses das eleições a sua sucessão. (Carta Maior; 2º feira, 29/08/ 2011)

sábado, 20 de agosto de 2011

A FORÇA DA GRANA

Parece que países do porte do Brasil não têm margem de manobra para evitar que sua economia seja contaminada pelos fluxos financeiros globais. Os dez maiores fundos operam um valor equivalente a oito vezes o PIB brasileiro! Mas há, sim, o que fazer. O primeiro passo é afastar o conformismo.
Por Paulo Kliass, na Carta Maior.
Os primeiros anos do milênio têm sido pródigos em oferecer todo tipo de novidades em escala mundial, apresentadas em ritmo tresloucado e sendo permanentemente superadas, numa velocidade assustadora. A combinação entre o aprofundamento da internacionalização da economia, a crescente importância adquirida pelo processo de financeirização das atividades econômicas e o desenvolvimento tecnológico fenomenal no âmbito da informática e das telecomunicações oferecem um quadro potencialmente transformador nas relações econômicas em geral, e em particular nas operações em escala mundial.
Um fenômeno que bem reflete as mudanças oferecidas por esse verdadeiro coquetel de inovação são as relações financeiras no plano internacional. Até não muito tempo atrás, as chamadas “praças” guardavam forte conteúdo nacional, e mesmo local. As bolsas de valores de Nova York, Chicago, Londres, Paris e Tóquio eram, por exemplo, as vedetes das operações do mercado de capitais e apresentavam características específicas que as diferenciavam entre si. Porém, o desenvolvimento tecnológico e o aprofundamento do grau de mundialização das empresas fez com que tais particularidades fossem sendo resumidas praticamente às diferenças de fuso horário. Além disso, outros países asiáticos passaram a entrar no time principal das “cities” financeiras, como Hong Kong, Mumbai, Cingapura. E a ironia da história e das localizações geográficas fez com que as praças orientais fossem as primeiras a operar a cada dia útil no mercado financeiro e de capitais. No dizer do jargão financeiro, o mercado “abre” com as bolsas do sol levante.
No entanto, apesar dos meios de comunicação insistirem em tratar a questão com certa dose de transcendência e intangibilidade para o grande público, o fato é que as grande jogadas no circuito financeiro são feitas por poucos e mastodônticos agentes no plano mundial. Perdeu-se quase toda a diversidade local e as tendências globais das operações se consolidam independentemente dos lugares e das diferenças dos fusos. Cada vez mais se concretiza o conhecido dito de Marx de que o “capital não tem pátria”. E agora basta uma decisão do comitê de investidores de uma determinada instituição financeira, uma ordem de execução ao operador da mesa de negócios e um toque na tecla “enter” para que os recursos atravessem fronteiras e meridianos em microlésimos de segundos! Uma única regra a ser respeitada: a busca permanente da maior rentabilidade. O que, é claro, pode
no jargão do financês) o ganho. Outros compram por achar que os preços estão em baixa e poderão subir no futuro. E por aí vai.
Mas a estrutura de composição do mercado financeiro internacional reflete um elevado nível de concentração, com a centralização de poder de decisão em mãos de poucas e imensas empresas. Por outro lado, o processo de financeirização das atividades econômicas em geral terminou por conferir ao mercado financeiro e às instituições que nele operam um sobredimensionamento em relação ao chamado “setor real” da economia. Com o crescimento mais do que proporcional das operações financeiras, esse setor praticamente se descolou da economia concreta, da produção de bens e da oferta de serviços em todo o mundo. A ampliação das oportunidades de ganhos e de realização de negócios introduziu o conceito de mercadoria em praticamente cada nicho da sociedade contemporânea. E aí meras apostas contra tendências econômicas futuras também alçaram características de mercadoria, com seu preço, sua oferta, sua demanda. A sofisticação negocial e tecnológica chega ao aprimoramento de transformar a mera atividade de especulação financeira em operação especial e específica no mercado de capitais. “Mercado de derivativos”, “mercado a termo”, “mercado futuro”, “mercado de hedge”, muitos são os rótulos para a enganosa embalagem para presente de algo que nada mais é do que a prática especulativa pura e simples.
Em escala internacional, a força dos conglomerados financeiros é capaz de subjugar Estados e derrubar governos. Levantamento divulgado recentemente informa que apenas os 10 maiores gestores de fundos financeiros globo afora eram responsáveis, ainda ao final de 2010, pela movimentação equivalente a US 17,4 trilhões. Ou seja, isso significa que um valor em títulos financeiros 20% superior ao PIB dos EUA está em mãos de 10 conglomerados. Ampliando um pouco a amostra, o relatório mostra que os 400 maiores gestores de fundos financeiros do globo eram responsáveis pela movimentação de US$ 53,6 trilhões – um valor difícil de dimensionar e comparar pela sua magnitude. A título de ilustração, ele representa um valor 30% maior do que a soma dos PIBs dos 10 maiores países do mundo.
Ora, sob tais condições, parece evidente que países do porte do Brasil não têm muita margem de manobra para evitar que sua economia seja contaminada por tais fluxos financeiros. Os dez maiores fundos operam um valor equivalente a oito vezes o PIB brasileiro! E, por incrível que pareça, ainda tem gente querendo nos fazer crer que eles “vêm para cá” (eufemismo para dizer que teclam “enter” na destinação “brazil” ) aplicar seus recursos porque acreditam no potencial econômico do nosso País, e todo o blá-blá-blá muito bem conhecido. Nadica de nada! O que buscam é o fabuloso ganho oferecido pela política monetária criminosa e irresponsável praticada pelos sucessivos governos através do Banco Central, quando há mais de uma década ostentamos as maiores taxas de juros do planeta! Ou então aquele “me-engana-que-eu-gosto” de que por aqui, in terrae brasilis, tudo é tranqüilo. Ficaríamos eternamente boiando beleza, como que intangíveis na nossa marolinha tupiniquim, enquanto o resto do mundo sofre as conseqüências do tsunami das crises.
Por meio da complementação perversa entre generalização da mercantilização e intensificação das atividades de financeirização, o mundo da economia atual vive um crescente distanciamento do mundo real. Tudo passa a ser encarado como mercadoria: uma relação social, um serviço público, uma diversão, o usufruto de férias, a satisfação de necessidades humanas básicas. E tudo passa a ser objeto de uma tentativa de financeirização: o empréstimo bancário, o cartão de crédito, o crédito consignado, os diversos tipos de seguro. E, com isso, além dos problemas sociais e econômicos gerais derivados dessa tendência de transformar tudo em mercadoria, cria-se um enorme fosso entre o valor econômico do mundo concreto (por mais impalpável que seja, é verdade) e o valor estratosférico das transações econômicas efetuadas apenas com base na esfera puramente financeira, descolada da atividade do mundo real.
O setor financeiro deveria existir para servir (sim, esse é o termo adequado!) à economia produtiva e ao setor de serviços. Reduzir custos, diminuir riscos, criar eficiência, agilizar operações. Mas o que se viu, ao longo do tempo, foi a crescente autonomização da área das finanças – na nossa vida de cidadãos, no interior das empresas, na estrutura do Estado, enfim, no conjunto da sociedade. A tal ponto que o restante das atividades tornaram-se dependentes, escravas mesmo, do setor financeiro. Uma completa inversão de valores e de prioridades.
Frente à força de tal movimento, por vezes parece-nos que não resta muito mais o que fazer. A atual forma de globalização das atividades sociais e econômicas assume ares de algo inevitável. O referido superdimensionamento da esfera financeira face à esfera produtiva parece igualmente inelutável. E não é bem assim. Por mais que vivamos esmagados sob a atual hegemonia desse modelo que tenta nos convencer de que não há alternativa, o mundo está salpicado de tentativas e experiências bem sucedidas em que um outro modelo de vida em sociedade é possível. O primeiro passo é romper o conformismo e a passividade. Em seguida, ampliar o horizonte de visão e superar a ignorância. Construir uma sociedade em que estejamos menos dependentes da bolha especulativa das empresas de informática na bolsa de Nova York ou dos tremeliques dos agentes das finanças por eventual dúvida a respeito da capacidade de algum país europeu cumprir ou não com sua dívida pública.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Dilma tem aprovação de 70,2% dos entrevistados pela pesquisa CNT/Sensus **produção industrial nos EUA surpreende e cresce 0,9% em julho, contrastando a estagnação na Alemanha e França que derrubou bolsas européias hoje **Nesta 3º feira, professores da rede pública de 11 estados brasileiros entram em greve pelo cumprimento da lei de 2008 que determina o pagamento de um salário mínimo ao setor **corrigido para valores de 2011, o piso dos professores brasileiros de nível médio atinge a ‘soma’ de R$ 1.187,00 **45% da população brasileira está em idade escolar **o orçamento da educação é da ordem de 5% do PIB  **o gasto com juros (pagos e capitalizados) da dívida pública passa de 6% do PIB .
O ESTADO DO MAL-ESTAR SOCIAL - 24 horas depois de anunciar a disposição do governo de resgatar valores e revisar políticas para a família, drogas e educação, o governo conservador de David Cameron informa que cogita dar maior poder à polícia inglesa para assegurar a ordem pública. Entre outras atribuições, forças de repressão poderão ganhar autonomia para cercar áreas, decretar toque de recolher em bairros e proibir a circulação de menores de 16 anos. Antes, Cameron já anunciara a disposição de bloquear comunicações de rede social, em situações de conflito. A Inglaterra dos conservadores se antecipa ao mundo para informar tudo o que a direita tem condiçoes de oferecer como alterntaiva à crise. (Carta Maior; 3º feira, 16/08/ 2011)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O METABOLISMO QUE UNE ESTADOS ENDIVIDADOS, FOME E RIQUEZA FINANCEIRA - Dez maiores gestoras de fundos de investimentos do mundo controlam US$ 17,4 trilhões – uma riqueza financeira 20% superior ao PIB dos EUA, diz a BBC. A ong Oxfan calcula em US$ 2,4 bi os recursos necessários para acudir a fome no chifre da África, onde 30 mil crianças morreram de desnutrição nos últimos 12 meses e 2,5 milhões de pessoas rondam o mesmo abismo. O orçamento da FAO, o braço da ONU para tratar da segurança alimentar e da agricultura é de US$ 1 bi. Os países ricos querem reduzir a sua contribuição ao organismo como parte de um ajuste fiscal destinado a oferecer juros mais altos aos detentores da dívida pública. Entre eles, fundos que ameaçam fugir para oportunidades mais seguras do que países atolados no modelo fiscal amigável aos mercados. Qual? Aquele em que a taxação da riqueza foi substituída pela generosa captação de uma fatia dela a juros, atrelando-se o orçamento público a uma espiral rentista que agora exige 'ajuste' contra os pobres para saciar o apetite dos ricos. (Carta Maior; 2º feira, 15/08/ 2011)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

JUROS . . .

Peso de juros sobre dívida brasileira é o maior entre países do G20
DA BBC BRASIL.
A proporção do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro gasta com pagamento de juros da dívida pública federal vem caindo nos últimos anos, mas ainda é a maior entre as 20 maiores economias do mundo e também supera a de países europeus afetados pela crise da dívida, à exceção da Grécia.
Segundo dados da EIU (Economist Intelligence Unit) sobre 25 países mais a União Europeia, compilados a pedido da BBC Brasil, o serviço da dívida brasileira consumiu 5,1% do PIB do país no ano passado, proporção inferior apenas aos 5,47% do PIB gastos pela Grécia país que na semana passada teve aprovado um segundo pacote bilionário de resgate para garantir o pagamento de suas dívidas.
Outros países europeus afetados pela crise das dívidas têm uma proporção bem menor de gastos com juros. Portugal gastou no ano passado 3,04% de seu PIB com pagamento de juros de sua dívida, a Espanha, gastou 1,6%, a Irlanda, 3,2% e a Itália teve 4,53% de seu PIB consumido com o serviço de sua dívida.
Apesar de ter a segunda maior proporção de gastos com o serviço da dívida, o Brasil é apenas o 13º da lista quando considerada a proporção do endividamento total em relação ao PIB.
Segundo os dados da EIU, a dívida total brasileira correspondia a 59% do PIB do país ao final do ano passado, proporção bastante inferior a países como Japão (199%), Grécia (143%), Itália (119%), Irlanda (95,7%) e Portugal (93%).
"A alta proporção do PIB gasta com juros pode ser vista como um fator de vulnerabilidade da economia brasileira, mas nas atuais condições não são consideradas como um grande problema", avalia Irene Mia, diretora regional para América Latina e Caribe da EIU, braço de pesquisas da revista "Economist".
"O Brasil está crescendo solidamente, tem um bom superávit primário e vem recebendo um grande fluxo de divisas por meio de investimentos estrangeiros diretos. Tudo isso ajuda a compensar a vulnerabilidade de pagar juros tão altos", avalia.
QUEDA.
A proporção do PIB brasileiro gasta com o serviço da dívida vem caindo nos últimos anos --depois de chegar a 8,54% em 2003, caiu para 5,1% no ano passado e, segundo as projeções da EIU, deve ficar em 4,9% neste ano e em 4,3% em 2015.
Nesse período, segundo a organização, o total da dívida brasileira deve cair dos atuais 59% do PIB para 53,7% do PIB em 2015.
As projeções indicam que em 2015, após a reestruturação de sua dívida, a Grécia terá uma dívida equivalente a 76,1% do PIB e deverá gastar apenas 2,2% de seu PIB com o serviço de sua dívida, após um pico de 7,3% em 2012.
Outros países europeus, porém, devem verificar um grande aumento na proporção do PIB gasto com juros. A Itália deve chegar a 2015 gastando 6,1% de seu PIB com juros, Portugal deve gastar 6% e o Reino Unido, que em 2010 gastou 2,95%, deve chegar a 4,6% em 2015.
O principal fator que eleva a proporção do PIB brasileiro gasta com o serviço da dívida é a alta taxa de juros básicos, já que a maior parte da dívida brasileira atual foi tomada no mercado interno.
A dívida externa, tomada em moeda estrangeira e a juros praticados no mercado de crédito internacional, representa menos de 5% do total da dívida pública brasileira, segundo os dados do Banco Central.
EUA E JAPÃO.
Os dados compilados pela EIU mostram que o peso da dívida brasileira é muito maior para a economia do país do que as dívidas do Japão, país com a maior dívida relativa ao PIB do mundo, e que os Estados Unidos, que têm a maior dívida nominal.
O Japão, cuja dívida total já ultrapassa os 200% de seu PIB, gastou em 2010 apenas 1,43% de seu PIB com o serviço dessa dívida. Essa proporção deverá ser ainda menor em 2011, com uma projeção de gasto de 0,8% do PIB com os juros da dívida.
No caso dos Estados Unidos, que se veem envoltos na polêmica discussão sobre o aumento do limite para o endividamento do país, dos atuais US$ 14,3 trilhões, esse valor deverá representar neste ano 68,3% do PIB do país, e os gastos com juros deverão consumir 1,4% da produção anual de riquezas americana.

terça-feira, 26 de julho de 2011

EUA: A POLITIZAÇÃO DA ECONOMIA PELA CRISE

Ao mesmo tempo em que cheira a  loucura, o impasse orçamentário norte-americano empresta --como costuma acontecer no auge das crises--  uma forte dose de  transparência à realidade ao seu redor. Condensam-se ali   escolhas  que tem dividido a disputa política ao longo de todo o ciclo neoliberal  e do qual esse episódio figura como o melhor símbolo de um crepúsculo arrastado. Uma disjuntiva resume todas as demais: cortar gastos sociais ou aumentar o imposto sobre os ricos aqueles que ganham acima de US$ 250 mil/ano? É essa decisão que paralisa Washington nesse momento.  E não terá sido essa, afinal, a disputa ordenadora dos últimos 30 anos vencida pelo cânone neoliberal em boa parte do planeta onde o martelo e o cutelo conservador  plasmaram a economia e a sociedade com base em cortes de impostos, desmonte de redes sociais e redução do papel do Estado -incluindo-se aí a desregulação financeira e as privatizações? Consumada a fragilidade fiscal decorrente dessa  lapidação, deu-se a captura dos fundos públicos pelos rentistas, através do pagamento de juros de uma dívida pública crescente. A diferença agora é que o  colapso  do modelo politizou a economia, escancarando a luta de classes que estrutura a sua engrenagem, sempre caramelada de glacê científico pelo noticiário.  O esgotamento do amortecedor  fiscal, exaurido  no socorro a banca e aos rentistas,  não deixou cartilagem pública para suavizar o atrito entre ricos e pobres. A fricção é direta. Requer uma intervenção cirúrgica. É nisso que a cordura do atual Presidente democrata, que discursou ontem à noite com belas frases, vive a sua hora da verdade.  O  Brasil está num estágio  anterior. Nossa dívida pública líquida é da ordem de 45% do PIB. Deve-se pesar meticulosamente como gastar a cartilagem e o tempo disponível,  antes que os mercados e a direita extremista, vocalizada pelos  Murdochs locais, entendam que chegou a hora de acionar também o xeque-mate testado pelos republicanos. O sinal verde que aguardam -perdida até a farisaica bandeira da corrupção--  remete ao impasse cambial. Para alguns uma fatalidade diante da liquidez internacional diluviana, a inundação de dólares e a importação que enseja, de fato, é fatal  indústria brasileira.  Numa  reversão do quadro externo a fartura poderá transmudar-se em fuga de capitais. E inverter a relação 'benigna' com a inflação, pressionando-a. Nesta 2º feira a fatalidade  forçou  mais um degrau: o dólar atingiu o menor valor desde 1999. Pergunta à Presidenta Dilma: não é melhor surpreender a fatalidade com o inesperado? Antecipar-se ao xeque-mate dotando o país de um controle cambial ancorado em negociação política -a crise politizou toda economia-- evitando-se assim o temido rebote dos preços? (Carta Maior; 3º feira, 26/07/ 2011)