domingo, 16 de outubro de 2011

O VOO FRUSTADO

JUCA KFOURI.
O caso do avião fretado pelos clubes que só chegou após os jogos já terem terminado.
O FUTEBOL BRASILEIRO já tinha três voos famosos, históricos, escandalosamente inesquecíveis: os voos da alegria promovidos pela CBF com representantes graúdos do Poder Judiciário do Rio de Janeiro convidados para as Copas do Mundo de 1994 e 1998 e o não menos célebre voo da muamba, quando a delegação da CBF chegou ao Brasil trazendo o tetracampeonato mundial e um sem- -número de artigos que os comandantes da seleção não queriam que passassem pela alfândega. Agora, temos mais um, sem a participação da CBF, embora causado por ela: o já consagrado voo que nunca chegou.
Melhor retrato da organização do futebol brasileiro seria impossível.
Primeiramente por ter sido encomendado, pois é um absurdo que se quisesse botar para jogar atletas que tinham participado da partida contra o México, na terça-feira à noite, menos de 24 horas depois no Brasil; segundamente porque o voo chegou quando os jogos já estavam terminados, porque o avião teve de voltar para a Costa Rica por falta de autorização para sobrevoar a Colômbia.
Sem se dizer que tudo porque o Campeonato Brasileiro não para quando a seleção joga, uma dessas coisas nossas, típicas de quem faz um montão para os clubes e suas ambições.
Clubes que são dirigidos por cordeiros incapazes até de fazer um avião fretado cumprir o seu papel. Quer dizer, cordeiros na subserviência, mas verdadeiras águias para defender seus próprios interesses, que raramente são os dos torcedores.
E que não são homens o suficiente nem sequer para fazer com que a própria CBF trate de devolver seus jogadores a tempo e a hora, embora, repitamos, tenha sido um absurdo o Flamengo tentar que Ronaldinho Gaúcho enfrentasse o Palmeiras (por mais que sua ausência tenha colaborado para a perda de dois pontos obrigatórios e que devem ser postos nas contas de dona Patrícia Amorim e seu novo amor Ricardo Teixeira) e que o Botafogo quisesse que Jefferson jogasse no lugar de Renan, de resto um dos maiores responsáveis pela ótima vitória sobre o líder Corinthians.
Absurdo comparável à escalação do hiperdesgastado Neymar contra o Galo, como se no Santos ele fosse visto como Super-Homem, o que está longe de ser. Azar do Botafogo que o pegará descansado. É isso. O tempo passa, o tempo voa e o futebol brasileiro continua muito longe de uma boa.
TOSTÃO
Lógica da incerteza.
Os craques, com poucas exceções, só brilham quando atuam em equipes com ótimo conjunto.
O Botafogo venceu e foi superior ao Corinthians, que jogou muito bem e ganhou do Atlético-GO, que deu um baile no Botafogo. É a dança das vitórias e das derrotas.
Mudam pouco as posições na tabela. É a lógica da incerteza, o caos organizado.
Na coluna anterior, escrevi que, além do equilíbrio, uma das causas de tanta irregularidade é a ausência de um futebol coletivo consistente, constante, e que a maioria das partidas é decidida em lances isolados, erros de árbitros, expulsões e pelo acaso -situações comuns, frequentes, que acontecem a favor e contra todas as equipes.
O Botafogo mereceu a vitória sobre o Corinthians, mas o imponderável também entrou em campo. No primeiro gol, após um belo contra-ataque, a bola bateu no defensor e caiu na cabeça de Loco Abreu, livre. No segundo, a bola desviou no zagueiro antes de entrar.
Quanto mais o acaso aparece, mais os operatórios o desprezam. O ser humano, prepotente e racional, vê o acaso como uma afronta ao conhecimento.
Como não sou torcedor nem comentarista de melhores momentos e gosto do futebol coletivo, bem jogado, organizado, com troca de passes, não posso achar que o Brasileirão é ótimo. Há equilíbrio, emoção, boas partidas, bons jogadores, mas não há um ótimo time.
A seleção carece também de um bom futebol coletivo. Os gols saem de lances isolados, às vezes belíssimos, como os dois contra o México. Isso não dá nenhuma segurança, ainda mais que falta mais qualidade no meio-campo e no ataque.
Só se forma uma grande equipe com craques e ótimo conjunto. Os grandes talentos, com poucas exceções, brilham apenas em times organizados. Enganam-se os que acham que eles não precisam ter funções definidas em campo. É o contrário. Sentem-se mais seguros. Na Copa de 1970, até Pelé tinha obrigações táticas. E as cumpria. Para ser um craque, é necessário, além de talento individual, ter talento coletivo. É a capacidade de ver o que está em volta, saber o que é bom para o time e fazer coisas para ajudar o companheiro. O craque pensa nele e nos outros. Faz isso porque sabe que precisa da equipe para ter sucesso e não porque seja desambicioso, um franciscano. A ambição é característica dos grandes talentos.
Renato, do Botafogo, tem muito talento coletivo. Dos que vi jogar, Gerson foi o que mais tinha essa qualidade. Jogava como se estivesse vendo a partida da arquibancada. Enxergava até o que ainda não tinha ocorrido.

POLÍTICA SEM SONHOS

FERREIRA GULLARNinguém sabe ao certo quem é Kassab nem o que será este partido, o PSD, que não diz a que vem.
Estou longe de me ver como um comentarista político, de modo que as considerações que às vezes faço aqui, em torno desse assunto, na verdade atendem à necessidade que tenho, como qualquer pessoa, de entender o que está acontecendo e pode ser que atendam também à necessidade de um ou outro leitor. De qualquer maneira, além do mais, me divirto com isso, já que pensar -certo ou errado- é a minha cachaça. E foi assim que, meses atrás, levantei aqui a hipótese de que os dois partidos nascidos de uma discordância ideológica radical com o regime militar -PT e PSDB- já esgotaram sua vida útil e, agora, surgiram novas lideranças, com outra história e outra visão do problema político, do modo de formulá-lo e conduzi-lo.
Dizendo de outra maneira: a nova geração de políticos, que vem substituir a de Fernando Henrique, Lula e José Serra, não teve que enfrentar a ditadura, não conheceu o exílio e, por essa e outras razões, tem uma visão menos ideológica, mais pragmática das questões políticas e sociais. Em razão disso, Serra não chegará à Presidência da República e o PT, se continua no poder, é porque já deixou de ser um partido (pretensamente) revolucionário: hoje é um partido sem compromissos ideológicos, que, para se manter no poder, aliou-se a cobras e lagartos, do PC do B, que já nada tem de comunista, aos evangélicos do bispo Macedo.
Pois bem, e não é que, de repente, Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, inventa um outro partido que, segundo ele mesmo, não era nem de direita, nem de esquerda, nem de centro? Alguém diria então que não era um partido. Essa foi minha conclusão, em face da primeira notícia, uma vez que os partidos nascem para pôr em prática uma opção política ou ideológica. Então, que partido seria esse, que vinha para defender nada, sem tomar nenhuma posição? Ele agora diz que o PSD é de centro.
Em abril deste ano, quando Kassab anunciou a criação do PSD, escrevi uma crônica qualificando-o de oportunista por inventar um partido que, sem projeto para o país, visa somente o poder.
Errando e aprendendo. Para minha surpresa, porém -e de muita gente mais-, o partido inventado por Gilberto Kassab cresceu em seis meses de maneira surpreendente, a ponto de se tornar, ao que tudo indica, a terceira maior representação na Câmara dos Deputados, desbancando o PSDB.
Realmente, não fui o único a me espantar, e não era para menos. Às vésperas de findar o prazo para a inscrição de candidaturas às eleições do ano que vem, o número de prefeitos filiados ao PSD chegava a 600, e o de vereadores, a mais de 6.000. Segundo a avaliação dos entendidos, o PSD lançará cerca de 12 mil candidatos a vereador e 1.400 candidatos a prefeito.
Isso significa que milhares de políticos, filiados a outros partidos, os abandonaram para se inscreverem no partido de Kassab. Dezenas de prefeitos dos mais diversos Estados deixaram seus partidos e a ele se filiaram. Os governadores do Amazonas e de Santa Catarina também mudaram de barco, arrastando consigo prefeitos, deputados e vereadores. Ao que tudo indica, o PSD se tornará em breve o terceiro maior partido do país.
Qual a razão disso? Como se explica tal fenômeno? Certamente haverá mais de uma razão para que tanta gente deixe seu partido e embarque numa aventura como essa, já que ninguém sabe ao certo quem é Kassab nem o que será esse partido, que não diz a que vem. Surpresa maior ainda foi, no apagar das luzes, a filiação de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central durante o governo Lula que pertencera ao PSDB e depois ao PMDB. Ele transferiu seu título de eleitor de Goiânia para São Paulo a fim de se candidatar, pela novel agremiação, a prefeito da capital paulista. Mas ele afirma que sua filiação ao PSD não tem objetivo eleitoral, pois visa tão somente ajudar na construção de um grande partido nacional. Ou seja, o lugar está vago.
Se vai fazê-lo ou não, pouco importa. O que fica evidente, porém, é que Kassab, ao se dar conta do vácuo político surgido do esgotamento do PT e do PSDB, viu que era chegada a hora de criar um partido que, ao contrário daqueles, não se define ideologicamente e no qual, por isso mesmo, cabe todo mundo.

ORDEM DADA

Aliados de Andres Sanchez afirmam que, antes de enviar o diretor administrativo do clube, André Luiz de Oliveira, à Inglaterra, o presidente corintiano deu uma ordem ao dirigente: trazer Tevez na bagagem de volta. Dizem que Andres acredita que as bases salariais pedidas pelo atacante devem ser menores agora, o que favorece o negócio. André viajou para a Inglaterra, onde se encontrará com Edu Gaspar e Kia Joorabichian.
Aprendizado. O objetivo oficial da viagem de André Luiz de Oliveira à Europa é que ele visite os principais estádios da Inglaterra, ganhe conhecimento e o aplique depois no Itaquerão. Ele já viajara ao exterior anteriormente com o mesmo objetivo.
Futuro. O diretor administrativo deve integrar, com Andres Sanchez, uma comissão de obras do Itaquerão no caso de Mario Gobbi, candidato da situação, vencer as eleições do clube. O pleito está previsto para ocorrer em fevereiro do próximo ano.
Tudo, menos isso. Dirigentes palmeirenses afirmam que o presidente Arnaldo Tirone atenderá o pedido de Luiz Felipe Scolari de afastar Kleber do time com receio de perder o técnico para um rival, como São Paulo ou Corinthians, e de ele vir a ter sucesso em uma dessas equipes.
O passado condena. Lembram que esse fato já aconteceu com Muricy Ramalho e com Vanderlei Luxemburgo. Muricy saiu do Palmeiras e foi campeão brasileiro com o Fluminense, e Luxemburgo está no Flamengo, disputando o título da competição nacional.
Curtiu. Repercutiu bem na Fifa a indicação de Vicente Cândido (PT-SP) para ser relator da Lei Geral da Copa na Câmara dos Deputados, embora ele seja do mesmo partido da presidente Dilma Rousseff, irredutível nas negociações com a entidade.
Mesmo time. Membros da federação entendem que o parlamentar, que também é vice-presidente da Federação Paulista de Futebol, é do meio e irá compreender os pedidos de alteração no projeto.
Brincadeira... Cartolas são-paulinos e corintianos criticaram os ataques públicos feitos por Juvenal Juvêncio e Andres Sanchez, quarta-feira. Alegam que as ofensas são pessoais e não envolvem a rivalidade entre os clubes.
...tem hora. Lembram ainda que essa discussão pública incita a torcida à violência, e ela ocorre após um jogador palmeirense ter sido agredido por torcedores.
No limite. Diretores do São Paulo defendem o presidente do clube. Alegam que Juvenal Juvêncio ficou quieto por muito tempo, enquanto os corintianos falavam barbaridades do São Paulo.
Ciclo ameaça ambiente, dizem ONGs.Ambientalistas apoiam o desenvolvimento na Amazônia, mas consideram que os projetos atuais são uma volta ao modelo exploratório implantado pelo governo militar.
"Só estão pensando no que dá para tirar de lá", diz Roberto Smeraldi, diretor da Amigos da Terra. Para ele, o governo abriu mão do desenvolvimento regional e sustentável preocupado somente em como dar suporte ao crescimento econômico do país nos próximos anos.
Segundo Telma Monteiro, especialista em energia da Kanindé, há estudos indicando que terá início uma nova fase de desmatamento, aumentando as emissões de carbono.
"Isso sem contar o caos social que será implantado nas cidades", diz Monteiro. "Esse custo nunca é calculado nos estudos." Em Porto Velho (RO), onde estão sendo construídas as usinas hidrelétricas de Jirau e de Santo Antônio, já há 120 mil pessoas a mais que foram atraídas pelas promessas de trabalho. Resultado: não há vagas nas escolas, e os hospitais não suportam a demanda. A cidade continua sem água e esgoto.
"Na BR-163, que já foi considerada um modelo de projeto sustentável, ninguém pensa mais nos problemas decorrentes da ocupação irregular em torno da rodovia e os conflitos que isso traz", diz Brent Millikan, diretor da International Rivers.
Para ele, as mudanças em curso são uma afronta à democracia e à legislação vigente. "Licenças ambientais, que deveriam ser atestados de segurança dos projetos, hoje são consideradas um atraso. É esse o projeto de desenvolvimento que vamos apoiar?", indaga Millikan.
Saída pelo Norte vira nova opção ao porto de Santos.Até safra 2012-2013, exportação de grãos pela Amazônia deve dobrar.
Ao transpor a floresta, custo do agronegócio cai; país será maior fornecedor de alimento do mundo em dez anos.O porto de Santos (SP), principal porta de exportação do país, perderá importância nos próximos anos com os investimentos que já começam a ser feitos na Amazônia.
O volume de grãos (milho e soja) exportados pelos portos da região deve dobrar até a safra de 2012-2013, passando de 5,2 milhões de toneladas para 11,8 milhões. Isso será possível com a ampliação dos portos de Santarém e Belém (PA) e Itaqui (MA). Até 2020, o investimento público e privado previsto para a criação de corredores de exportação, construção e ampliação de terminais portuários no chamado "arco Norte" será de R$ 3,2 bilhões.
Hoje, as principais portas de saída do agronegócio são os portos de Santos, Paranaguá (PR) e Vitória (ES), que, juntos, respondem por 60% das exportações do setor. Pelos terminais portuários da Amazônia saem 7 milhões de toneladas, 12% do total.
"É um contrassenso", diz Luiz Antônio Fayet, assessor para assuntos de logística da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). "A zona produtora avançou rumo ao norte, mas a infraestrutura de transporte não acompanhou esse movimento, fazendo com que o excedente da produção tenha de seguir para o sul numa logística cara e ineficiente."
Essa situação fez com que o custo de transporte do Brasil entre a lavoura e o porto se tornasse um dos mais altos do mundo. Segundo a Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais), o custo médio da tonelada de grão no país é de US$ 85, enquanto na Argentina e nos EUA ele é de US$ 20 e US$ 23, respectivamente.
Estima-se que, com os novos projetos no "arco Norte", os custos logísticos do Brasil se aproximem dos dos seus dois principais concorrentes.
Se isso ocorrer, um produtor em Sinop (MT), por exemplo, poderá ter ganhos de até R$ 8 por saca. Isso representa uma melhoria na rentabilidade do produtor, estimulando novos investimentos na produção no Centro-Oeste.
FRETE MENOR
Há outras vantagens. Exportando pelo "arco Norte" e não pelos portos do Sul e do Sudeste, a distância percorrida pela produção agrícola do Centro-Oeste seria mil quilômetros menor, o que representa quatro dias a menos no tempo de navegação entre o Norte e Roterdã, o principal porto da Europa. Resultado: redução no custo do frete. Essa diferença será fundamental para o Brasil, que deverá ser o maior fornecedor de alimentos no mundo em uma década, segundo projeções da CNA.
MINÉRIOS
As mudanças também estimulam os produtores de minérios. Segundo o Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), a Amazônia receberá R$ 53,7 bilhões em investimentos privados no setor, o que representa 46% do total. O número não considera as novas descobertas. O Serviço Geológico do Brasil já está concluindo a maior e mais detalhada pesquisa do potencial do subsolo amazônico.
"É provável que esse levantamento revele uma nova província mineral, como a de Carajás, sob a floresta", diz Marcelo Ribeiro Tunes, diretor de assuntos minerais do Ibram. "Isso vai induzir novos sistemas de logística na região amazônica", diz.
Obras na Amazônia atraem 7 'trens-bala'.Investimentos somam, pelo menos, R$ 212 bilhões e criam novo ciclo de expansão econômica na região.
Plano cria saída para o agronegócio exportador e uma nova estrutura para geração de energia e exploração mineral.
JULIO WIZIACK
AGNALDO BRITO

O governo federal e o setor privado inauguraram um novo ciclo de desenvolvimento e ocupação da Amazônia Legal, onde vivem 24,4 milhões de pessoas e que representa só 8% do PIB brasileiro.
O pacote de investimento para os nove Estados da região até 2020 já soma R$ 212 bilhões. Parte já foi realizada. O valor deverá subir quando a totalidade dos projetos tiver orçamentos definidos.
Esse volume de recursos equivale a sete projetos do TAV (Trem de Alta Velocidade), pouco mais de quatro vezes o total de capital estrangeiro atraído pelo Brasil em 2010 e duas vezes o investimento da Petrobras para o pré-sal até 2015. Excluindo o total do investimento do país no pré-sal, os recursos a serem aportados na Amazônia praticamente vão se equiparar aos do Sudeste, principal polo industrial do país.
É o que indica levantamento feito pela Folha com base no PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) e nos principais projetos privados em andamento.
Basicamente, são obras de infraestrutura (energia, transporte e mineração). Juntas, elas criarão condições para a instalação de indústrias e darão origem a um corredor de exportação pelo "arco Norte", que vai de Porto Velho (RO), passando por Amazonas, Pará, até o Maranhão.
Essa movimentação de cargas será feita por uma malha logística integrada por rodovias, ferrovias e hidrovias que reduzirão custos de exportação, principalmente para o agronegócio, que hoje basicamente utiliza os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR).
ENERGIA AMAZÔNICA
O setor elétrico é a força motriz dessa onda de investimento. As principais hidrelétricas planejadas pelo governo serão instaladas na região e, com elas, também se viabilizarão as hidrovias.
Projetos como Belo Monte (PA), Jirau e Santo Antônio (RO), Teles Pires e o complexo do Tapajós (PA) fazem parte desse novo ciclo de ocupação, acelerando o processo que se iniciou ainda sob a batuta do governo militar. A Amazônia, que hoje participa com 10% da geração de energia no país, passará a 23%, até 2020. Em uma década, ela será responsável por 45% do aumento da oferta de energia no sistema elétrico brasileiro e se tornará um dos motores do crescimento.
CONTROVÉRSIAS
Para acelerar a implantação dos projetos, o governo federal estuda uma série de mudanças legais. Entre elas estão a concessão expressa de licenças ambientais, a criação de leis que permitam a exploração mineral em áreas indígenas e a alteração do regime de administração de áreas de preservação ambiental.
Há ainda no Congresso um projeto de lei que, caso seja aprovado, tornará obrigatória a construção de hidrelétricas juntamente com as eclusas, viabilizando o transporte hidroviário.
O atual modelo prevê a construção das usinas e somente a apresentação do projeto da eclusa, obra que deve ser feita pelo governo. O avanço sobre a Amazônia gera controvérsias entre ambientalistas, que acusam o governo de repetir um modelo de desenvolvimento não sustentável e que conduz a região ao colapso social. Para os ambientalistas, as obras das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, em Porto Velho (RO), e de Belo Monte, em Altamira (PA) são exemplos.
O governo e o setor privado inauguraram novo ciclo de desenvolvimento e ocupação da Amazônia Legal, que tem 24,4 milhões de habitantes e representa só 8% do PIB, informam Julio Wiziack e Agnaldo Brito. O pacote de investimentos planejado para os nove Estados da região até 2020 já soma R$ 212 bilhões, segundo levantamento feito pela Folha com base no PAC e nos principais projetos privados em andamento.

AS MANCHETES DO DIA . . .

Veja as manchetes dos principais jornais e revistas neste domingo
* Jornais nacionais
O Estado de S.Paulo
Brasil não sabe quanto custará a Copa
Jornal do Brasil
Restaurante que explodiu tinha mangueira de gás emendada
O Globo
Gastos com proteção social já superam investimentos
Correio Braziliense
A corrida do brasiliense para a bolsa de valores
Estado de Minas
Homem é assassinado dentro de ambulância
Jornal do Commercio
Por dentro do Enem
Diário do Nordeste
Falta de mão de obra ameaça crescimento; em 2010, 24% das vagas no CE ficaram ociosas
Extra
Como economizar ao renovar a matrícula de seu filho na escola
Zero Hora
Volks avalia credenciais do RS para receber fábrica
* Revistas
Veja
Projeto verão
Época
Brasil, o país do otimismo
IstoÉ
A prova de fogo do Enem
IstoÉ Dinheiro
Tombini mostra suas armas
Carta Capital
Paranoia verde-oliva
* Jornais internacionais
The New York Times (EUA)
Para isolar o Irã, Obama pressiona inspetores nucleares
The Sunday Times (Reino Unido)
A oferta secreta da China para salvar o euro
Le Monde (França)
Mundial de Rúgbi 2011: duelo de vizinhos entre All Blacks e Wallabies
China Daily (China)
Crescimento econômico deve atingir 9,4%
El País (Espanha)
Movimento dos indignados renasce como uma força global
Clarín (Argentina)
River mantém invencibilidade e a ponta em Córdoba .

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Poxa, como a desfiliação do PSDB fez bem ao Bresser-Pereira! Muito bom!
Concordo com praticamente tudo o que foi dito, porém uma única coisa me intrigou um pouco.. Na minha opinião, a questão fiscal ainda pesa sim.
Acredito que não se deva gastar mais ou fazer um ajuste fiscal, e sim gastar 'melhor', com eficiência.

BRESSER

'BC é um banco do governo e tem que fazer a política do governo'
Em entrevista exclusiva à Carta Maior, o economista e cientista político Luiz Carlos Bresser Pereira recusa-se a transformar a política fiscal dos governos petistas em vilã de um futuro sombrio. “Existem dois tipos de economistas horríveis: os ortodoxos, para os quais todos os problemas do mundo se resolvem com mais ajuste fiscal, e os keynesianos vulgares, para quem tudo se resolve com mais gasto público”, afirma. Para ele, desde 1998, o Brasil não descuida da questão fiscal. Outro mito que Bresser derruba é o de que a autonomia do Banco Central é fundamental para a administração da crise.
O estrago já foi feito, ou seja, perderemos nós, porque os jogos não provocarão interesse geral.
Não sou contra a Record fazer a cobertura.
O problema é outro.
A pauta esportiva é do interesse da população, incentiva os jovens, cria exemplos, por isso todos os canais deveriam ser obrigados a fazer a cobertura, ainda mais quando se sabe que os meios de transmissão são públicos e público é o interesse no esporte.
Espero que a Record transmita partidas de bad-minton, hóquei na grama, patinação, taek-wond e tênis de mesa na programação. São esportes, assim como os mais famosos. Mas não costumam ter o mesmo patrocínio.
É, a Record está a abocanhar o nicho de mercado da esquerda... Bela tática da RECORD, no que respeita à conratação de blogueiros progressistas (?), a fim de capilarizar a equipe jornalística da referida empresa (capitalista, diga-se de passagem).
Não me lembro da postura progressista de PHA, quando trabalhava nas Organizações Globo, mas enfim: Tudo muda...
Torço para que a Recod faça uma boa cobertura, mas, ainda que saiba do impulso ao monopólio da mesma, assim como a Vênus platinada... Desconfie, pois!

JOGOS PAN-AMERICANOS

O Pan, os recordes e a Record.
Os Jogos Pan-americanos, que começam nesta sexta-feira, serão transmitidos pela Record. É a primeira vez, em muito tempo, que a Globo perde a transmissão de um grande evento esportivo. Creio que isto não acontecia desde 1980, quando a Bandeirantes transmitiu o campeonato de Fórmula-1.
Por José Roberto Torero, na Carta Maior.
Nesta sexta-feira começam os Jogos Pan-americanos. É uma competição interessante, que nos dá a impressão de sermos uma potência mundial no esporte. Na última edição, em 2007, no Rio, ficamos em terceiro lugar, com um número respeitável de medalhas: 157 (52 de ouro).
Mas, antes que o leitor ufanista dê pulos no sofá, lembro que acabamos atrás de Cuba. E não dá para ficar convencido sabendo que nossa grande luta é para ultrapassar um país que tem apenas 11 milhões de habitantes, o mesmo que a cidade de São Paulo. Pelo jeito há alguma coisa lá que funciona melhor do que aqui. Mas isso é assunto para outro dia.
Hoje o assunto é televisão.
É que este Pan será transmitido pela Rede Record. É a primeira vez, em muito tempo, que a Globo perde a transmissão de um grande evento esportivo. Creio que isto não acontecia desde 1980, quando a Bandeirantes transmitiu o campeonato de Fórmula-1.
A rede da Igreja Universal mostrará ainda as Olimpíadas de Londres em 2012 e o Pan de 2015.
Será interessante ver como a Globo se portará em relação ao noticiário da competição.
Terá total ética jornalística e dará destaque justo às vitórias brasileiras, correndo o risco de alavancar a audiência da concorrente? Ou mal tocará no assunto (como no tempo das Diretas Já), deixando que o fator comercial fale mais alto que o senso jornalístico?
É uma decisão difícil. Talvez a empresa consiga achar um budista caminho do meio. Mas será uma situação delicada, na qual ela terá que mostrar se está eticamente madura para falar de eventos que não comanda.
Por enquanto, a Globo pouco falou no Pan. E quem perde com isso são os atletas, que aparecem menos e assim têm mais dificuldade em justificar e buscar patrocínios.
Dúvidas.
Eu vos pergunto: Será que a luta entre as duas redes será boa para nós, espectadores? Será que a disputa, a livre concorrência, realmente gera uma melhora do produto, no caso as transmissões esportivas?
Segundo o senso comum, sim. Mas não é bom tomar decisões apressadas. A disputa nem sempre é mãe de avanços. Pode ser pai de retrocessos. Por exemplo, havia a ideia de que, se mais emissoras fizessem novelas, elas melhorariam. Não foi o que aconteceu. As novelas, com a nobre exceção do Cordel Encantado, pouco inovaram nos últimos anos, apostando em fórmulas já testadas.
Com os humorísticos foi a mesma coisa. Nos tempos da ditadura da Globo, quando ela sempre podia começar seus programas com o bordão “Mais um campeão de audiência...”, a empresa podia dar-se ao luxo de arriscar mais, a fazer programas como Armação Ilimitada. Hoje, em tempos de disputadas mais ferrenhas, em vez de TVs Piratas temos Zorras Totais.
Mas no esporte as coisas podem ser diferentes.
Pelo menos num aspecto, o espectador vai sair ganhando: a Record transmitirá vários eventos ao vivo no horário nobre, o que talvez não acontecesse com a Globo, pois ela pensaria duas vezes antes de arriscar sua audiência. Como a Record tem um ibope mais modesto, fica mais fácil arriscar.
Porém, talvez a transmissão perca em qualidade, já que a Globo, no correr dos anos, construiu uma melhor equipe de profissionais e tem mais experiência nas transmissões internacionais.
No dia 30, no encerramento do Pan, veremos quem saiu ganhando e perdendo. Inclusive no quadro de medalhas.
LULA: o discurso emocionado ao receber o Prêmio World Food Priz, nos EUA **(http://www.youtube.com/watch?v=LT0j9AN6T-A&feature=player_embedded)
** 951 cidades em 82 países apoiam a marcha deste sábado,dia 15, pelo fim da ordem neoliberal
** convocatória feita pelos indignados espanhóis: http://15october.net/where/ ** a maior greve bancária em 20 anos entra no seu 18º dia com mais de 9.100 agencias paradas, 46% da rede brasileira
** banqueiros tiveram aumento de lucros de 28% em 2010, oferecem 8,4% de reajuste
**BRESSER PEREIRA: 'governo deve administrar com mão de ferro o setor financeiro' (leia entrevista  exclusiva a Maria Inês Nassif.)
**dia 18/10: 'Ocupe o Copom': manifesto pela queda dos juros une CUT, Fiesp, Abimaq, metalúrgicos,   economistas
** informações e adesões:  http://www.brasilcomjurosbaixos.com.br/
AS RUAS NÃO TEM 'CLAREZA'. QUEM A TEM? - Muitos se perguntam de que servem as mobilizações de rua se seus participantes - jovens em sua maioria - não tem 'clareza' (os banqueiros a teriam, por suposto) do que fazer diante do gigantismo de impasses que ameaçam a própria sobrevivência do sistema financeiro mundial. As ruas nunca deram respostas técnicas para impasses históricos. O papel das ruas nesse momento é justamente libertar a economia da fraudulenta camisa-de-força 'técnica' que circunscreve a busca de alternativas aos limites dos interesses geradores da crise. (LEIA MAIS) (Carta Maior; 6ª feira, 14/10/ 2011)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Ler bem torna as crianças mais interessantes para si e para os outros. Estar sozinho com um livro autêntico é ser capaz de conhecer-se.

A IMAGEM DIZ TUDO. . .

Classe média fuma maconha, mas fala mal da polícia, bebe mas se acha no direito de dirigir, paga meia entrada com carteirinha de estudante falsa, e se acha no direito de falar contra os corruptos.
É o seu direito em reclamar, mas não beba mais por favor, alguém poderia ter morrer nesta "brincadeira", ainda bem que foi apenas uma cantada, e não um atestado de óbito.
Política é a arte de governar com o máximo de promessas e o mínimo de realizações.

ELES

VÃO INVADIR MINHA CASINHA QUE NEM ESTÁ PAGA DO "MINHA CASA, MINHA VIDA"!!!
CUIDADO QUE NÃO VÃO POUPAR NEM O SUBÚRBIO E PERIFERIAS ENQUANTO O PESSOAL NÃO LARGA A "GLOBO"/PIG!!!
QUE DIZER DE NOSSOS AQÜÍFEROS, DO PRÉ-SAL E DA AMAZÔNIA?!?

BOTANDO ORDEM NA CASA

Infelizmente, a televisão brasileira chegou a um nível de degradação que apenas medidas mais severas são cabíveis neste momento. Há tempos venho alertando quanto ao estímulo a práticas nocivas que em sendo difundidas na televisão, como a apologia ao homossexualismo e ao consumo de drogas e bebidas.
De forma até paradoxal, os que hoje condenam as ofensas e os palavrões do tal Rafinha Bastos e a nudez da modelo Gisela Bundchen em comercial de TV, são os mesmos que defendiam a liberdade de expressão.
Mesmo dentro da esquerda, percebe-se que há uma pluralidade de opiniões, o que pode ser saudável, mas não que se torne impeditivo no sentido de fixar critérios que visem antes de mais nada a manutenção dos princípios éticos e morais da sociedade brasileira.
Maringoni, em seu texto contextualiza a realidade brasileira nos meio de comunicação, principalmente a televisão que através do humor dissemina o preconceito em relação as minorias. Rafinha achou que o vale tudo poderia incluir quem o paga, mas esqueceu daquele dito antigo, "você sabe com quem está falando" e dançou bonito.
O que a Bandeirantes fez de forma avessa, foi punir diretamente seu funcionário. Se houvesse uma regulação democrática da mídia, este e outros casos não deveriam acontecer, mas a sociedade vai continuar sofrendo dos preconceitos dos donos da mídia, estes têm sua própria regulação, pois, "você sabe com quem está falando". 
Marco regulatório da imprensa! Já.
O que os donos da midia não admite é que haja interferência do Estado, com códigos regulatórios ou sei lá o que; fosse o Estado o agente determinante de punição ao Rafinha, aí sim, a situação seria grave.
Rafinha não dançou por machismo, mas por mexer com gente rica.
O integrante do CQC, que fez piada de péssimo gosto com Wanessa Camargo, já falara coisas piores. Agora mexeu com esposa de milionário, que ameaçou tirar anúncios da TV Bandeirantes. Ninguém classificou caso como atentado à liberdade de expressão. Já quando ministra condena comercial de lingerie machista, o coro é um só: censura.
Por Gilberto Maringoni, na Carta Maior.
Qual é o problema com a suposta piada de Rafinha Bastos? Ele antes já exibira todas as cores de seu mau gosto e nada acontecera.
Todos conhecem a pérola, não? O apresentador aproveitou-se de uma bola levantada pelo chefe da cena do programa Custe o que Custar (CQC), Marcelo Tas, sobre a gravidez da cantora Wanessa Camargo, e cortou ligeiro: “Eu comeria ela e o bebê, não tô nem aí”. Foi logo acompanhado por risos e caretas de seus colegas de vídeo, Tas e Marco Luque .
A grosseria foi ao ar dia 19 de setembro. A TV Bandeirantes, que exibe o programa, levou duas semanas para decidir o que fazer. Em 3 de outubro, o apresentador foi suspenso da bancada. Não se sabe se voltará.
Não foi a primeira vez que Rafinha exerceu sua – digamos - sutileza. Em entrevista à revista Rolling Stone, em maio de 2011, ele saiu-se com esta: “Mulheres feias deveriam agradecer caso fossem estupradas, afinal os estupradores estavam lhes fazendo um favor, uma caridade”.
A gracinha com as feias não rendeu ao gaúcho de dois metros de altura nada além de protestos de movimentos femininos. Mas a liberdade com a cantora custou-lhe até agora, além do posto no programa, o cancelamento de shows e o rompimento de alguns contratos de publicidade. Rafinha perdeu grana com a brincadeira.
Pensamento vivo.
Repetindo: qual o problema com as tiradas do rapaz de 34 anos, num universo midiático em que o mau gosto, a boçalidade e o “politicamente incorreto” passaram a ser valores em si?
Rafinha vive num tempo em que as demonstrações de preconceito, como as do apresentador de outro programa de entretenimento da mesma emissora, Boris Casoy, não têm consequências maiores. Todos se recordam da fineza do jornalista ao desqualificar dois garis que apareceram em seu programa para desejar boas festas, no final de 2009. Sem saber que os microfones estavam abertos, ele foi ao ponto: "Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho".
O artista do CQC também sabe que o pensamento vivo de gente como o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) recebe destacada acolhida em grandes meios de comunicação. Sua entrevista à revista Playboy, em junho último, é pródiga em preciosidades. Segue um exemplo: “Moro num condomínio, de repente vai um casal homossexual morar do meu lado. Isso vai desvalorizar minha casa!”.
Outro luminar da intelectualidade midiática, o ex-compositor Lobão, por sua vez, exibiu os músculos cerebrais em um festival de cultura em São Francisco Xavier (São José dos Campos, SP), também em junho. Após demonstrar criteriosamente que toda a música popular brasileira não tem nenhum valor, ele sentenciou: “A gente tinha que repensar a ditadura militar. Essa Comissão da Verdade que tem agora. (…) Que loucura que é isso? Aí tem que ter anistia pros caras de esquerda que sequestraram o embaixador, e pros caras que torturavam, arrancavam umas unhazinhas, não?”.
Os exemplos são infindáveis. Rafinha provavelmente é leitor de Reinaldo Azevedo, o blogueiro de Veja, que, em março de 2010, durante uma palestra no afamado Instituto Millenium, em São Paulo, externou sua particular concepção de liberdade de expressão: “A imprensa tem que acabar com o isentismo e o outroladismo, essa história de dar o mesmo espaço a todos”. Na mesma oportunidade, o cineasta aposentado Arnaldo Jabor lançou o desafio de “impedir politicamente o pensamento de uma velha esquerda que não deveria mais existir no mundo”. Impedir o pensamento... muito bom!
A baixaria televisiva contaminou até mesmo as campanhas eleitorais. Continuam na memória de todos os ataques da campanha de José Serra à Dilma Rousseff, em 2010, sobre o tema do

A OCUPAÇÃO DA AGENDA POLÍTICA

** Warren Buffet, a 3ª maior fortuna do planeta, abre sua declaração de renda: ganhou US$ 63 milhões em 2010; pagou US$ 6,9 mi de imposto, cerca de 10%: um professor nos EUA paga em média 27,5%.
** CORRUPÇÃO: presidente da Siemens do Brasil é afastado do cargo acusado de desviar 6,5 milhões de euros para suas contas particulares
** principal executivo do grupo Murdoch na Europa é afastado do cargo: Andrew Langhoff é acusado de inflar vendas do Wall Street Journal com operações 'casadas': publicava matérias favoráveis a quem adquirisse lotes do jornal
** estudantes de 90 universidades aderem hoje ao 'Ocupe Wall Street'

Em 1932, a taxa de desemprego nos EUA era de quase 25%, um em cada quatro norte-americanos estava desempregado. Havia inquietação nas ruas. Protestos brotavam nas cidades. Marchas arrebanhavam descontentes. Mas um acontecimento mais que qualquer outro marcou a radicalização que definiria a disputa presidencial no ano seguinte e com ela a politização da crise. Em Washington, veteranos da primeira guerra, pobres e desempregados, indignados com a recusa do governo em adiantar-lhes o bônus de ex-combatentes, montaram um acampamento nas praças e ruas da avenida principal. A ocupação começou repentinamente. Acabou reunindo milhares. Foi duramente reprimida pelo governo do Presidente Hoover , cujo secretário do Tesouro, Andrew Mellow --a exemplo do extremismo neoliberal dos dias de hoje-- opunha-se tenazmente a qualquer intervenção do Estado na economia. Mellow acreditava mesmo que a recessão seria benéfica-- 'Ela limpará a podridão do sistema', dizia. A repressão aos ocupantes de Washington rachou a própria direita. Uma parte apoiaria o democrata Franklin Roosevelt que venceria as eleições no ano seguinte. Roosevelt tomou posse em 3 de março de 1933. Seis dias depois, fez o Congresso discutir e aprovar, em um único dia, uma Lei de Emergência Bancária que colocava a banca sob custódia federal. A estatização branca do sistema permitiu-lhe erradicar a especulação e a jogatina subordinando o crédito aos desígnios da produção, do emprego e do consumo. Em 1933 surgiria o termo 'macroeconomia', em contraponto à visão pontual e mercadista predominante então, exceto entre os marxistas. Em 36, Keynes lançaria seu livro 'Teoria Geral do Emprego, do Salário e do Lucro' que sancionaria a intervenção do Estado para estabilizar a curva do investimento e modular as expectativas do capital. A ocupação de Washington não propôs a lei Bancária a Roosevelt, nem pautou a Teoria Geral, de Keynes. Mas ajudou a promover a ocupação política da agenda da crise que mudaria a história dos EUA e a do século XX. (Carta Maior; 5ª feira, 13/10/ 2011)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Na Marcha contra a Corrupção, hoje, em várias capitais do País, com maior mobilização em Brasília, por motivos óbvios, dois temas serão defendidos: o fim do voto secreto nas casas legislativas e a implantação imediata da Lei da Ficha Limpa. A marcha reforça, assim, a ideia de que a corrupção é inerente aos políticos e que não existe político que não seja corrupto. Há embutido nesse pensamento a noção, nefasta, de que o Brasil não pode ser governado sem políticos mal-intencionados. E se aceita isso numa boa, como um País bonito por natureza e corrupto por opção. É o “todo mundo faz”, defendido pelo ex-presidente Lula num conformismo simplista e inconsequente. Entenda-se ‘todo’ no sentido de envolvimento dos adeptos dessa prática, não da sociedade como um todo.
Também, por esse conceito, o voto secreto é o instrumento maior de corrupção na política o qual permite todo tipo de negociata, pois os envolvidos não precisam prestar contas de seus atos, quase sempre escusos. Então, mesmo que pratiquem atos sujos, estão sempre limpos perante a lei e a opinião pública. Ainda com base nessa ideia, governar no Brasil só é possível com corrupção. Trata-se da tal ‘governabilidade’, um termo tão vago de sentido quanto de ação, mas muito bem definido no âmbito da corrupção: para viabilizar seus projetos, o governo aceita se tornar refém de grupos políticos organizados, popularmente conhecidos como partidos. Só governa, nesse caso, se ceder às chantagens.
É pertinente, portanto, a mobilização de hoje. Isso porque, sendo a política um órgão de poder, a corrupção tira a legitimidade das instituições democráticas e ameaça a democracia. Antes um mecanismo de proteção à integridade, o voto secreto se tornou meio de imunidade ao crime. Usado pelos fichas sujas para garantir privilégios, ameaça a legitimidade do Estado e corrói a credibilidade das instituições.
No âmbito da filosofia, a corrupção não é mais analisada de forma isolada. A distinção entre corruptor e corrupto não é mais relevante, pois já se identificou que o primeiro é o agente e o segundo o paciente da ação de corromper. Aristóteles pensou essa relação como “a mudança que vai de algo ao não ser desse algo; é absoluta quando vai da substância ao não ser da substância, específica quando vai para a especificação oposta”. O entendimento de Aristóteles é que a corrupção modifica a ordem natural das coisas, como uma espécie de desvio de conteúdo. Ou seja, você também é responsável pelo tipo de sociedade em que quer viver. A que está aí, pelo menos politicamente, não é recomendável.

MAMATA

Aeroportos serão dados, não leiloados.
As empreiteiras que preparam aterrissagem nas concessões dos aeroportos de Brasília, Campinas e Guarulhos vão ganhar um presentão. O item 2.41, da Seção VII do anexo 25 do edital de licitação prevê à concessionária que administrar os terminais o direito de herdar as obras em andamento, já iniciadas pela Infraero, com o dinheiro empenhado pela estatal. O descontão chegará a R$ 3,4 bilhões.
Gênios.
O governo troca seis por meia dúzia: enquanto espera arrecadar R$ 2,9 bilhões de luva no leilão, faz a Infraero bancar R$ 3,4 bilhões em obras.
Bilhões no ar . . .
As obras já licitadas em andamento estão orçadas em R$ 1,2 bilhão (Guarulhos), R$ 823 milhões (Campinas) e R$ 1,4 bilhão (Brasília).
CimentoAir . . .
Na Infraero dá-se como certo que Odebrecht (sempre ela), Andrade Gutiérrez e Camargo Corrêa são pule de dez para levar os aeroportos
À espreita.
A Infraero tem atualmente 85 engenheiros parados desde a saída do brigadeiro Nicácio. A estatal foi escanteada, à espera da privatização.

SALGUEIRO

terça-feira, 11 de outubro de 2011

CAMPEÃO F 1

O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) anunciará nesta quarta-feira, às 12h de Guadalajara, (14h de Brasília) quem terá a honra de carregar a bandeira do país na cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos.
O anúncio e a entrevista com o(a) porta-bandeira serão feitos na Vila Pan-Americana.
O mesatenista Hugo Hoyama é um forte candidato: aos 42 anos, o paulista estará pela última vez em um Pan e é o brasileiro com mais medalhas de ouro na história da competição continental, nove.
Principal nome da delegação brasileira, o nadador Cesar Cielo também está cotado.
Considerada uma das esportistas mais bonitas do mundo, a paraguaia Leryn Franco pode desfalcar a delegação de seu país nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara. A atleta do lançamento de dardo está com a Influenza A (conhecida no Brasil como gripe suína) e sofre com faringite aguda.
Em entrevista ao diário paraguaio ABC Color, o diretor esportivo do Comitê Olímpico Paraguaio, Juan Carlos Orihuela, não escondeu o incômodo com a situação: "Estamos muito preocupados".
Leryn Franco, de 29 anos, tem viagem marcada ao México para a quinta-feira 20, sendo que as provas de lançamento de dardo estão previstas para o dia 27. Em Pan-Americanos, a atleta e também modelo ficou em oitavo em Santo Domingo-2003 e repetiu a colocação quatro anos depois no Rio de Janeiro.
Fim de jogo em Puerto La Cruz. Venezuela vence Argentina pela primeira vez na história.
Incrível! VinoTino
Venezuela comemora a vitória histórica sobre a Argentina: 1 a 0.
São muitas vagas, é verdade, mas eliminatória é duríssima
A Seleção deixou de ser nossa. Comercial demais, escalada por turnos, não fixa a memória, e não empolga. Virou produto e não Pátria.

PAULA FERNADES - BORBOLETAS

domingo, 9 de outubro de 2011

Grevistas criam impasse para sabotar dissídio.
Esta situação dos Correios não é surpresa para ninguém, pois desde de 2002, com a assunção do PT ao Poder ela foi infestada de sindicalistas incompetentes nos cargos de chefias. Ao longo desses quase nove anos, com a ajuda do Presidente Lula o sindicato, que só representa os carteiros, realizou várias greves só com cunho político, e em todas nunca teve uma só dia descontado.
Na realidade só quem é punido é quem fica trabalhando, pois trabalha dobrado e com toda a pressão e os carteiros ficam soltando graça dizendo que estão de férias. Só lamentamos essa situação, pois os Correios não merecem.
É uma pena, pois os Correios definham a cada ano. Conclamo os funcionários dos Correios que estão trabalhando a ir as ruas e expulsar essa gente, tanto do sindicato como os dirigentes.
O Sen. Cassol está correto. Borracha neles.
Está ficando difícil, até, se indignar, acho que a gente vai ficando anestesiado, e é com isso que conta empresa especializadíssima em achaques, roubos, desvios, dilapidação do erário, formação de quadrilha, e etc.
Acredito que o suplente do Sen. Ivo Cassol, seu pai, está corretíssimo, quando pede o cancelamento do imundo, indecente e provocativo Bolsa Preso.
É ultrajante.
Meu pai, por exemplo, trabalhou e contribuiu por mais de 35 anos para receber um mísero SM por mês. Acho que não sinto nem mais revolta, por falta de espaço. Era isso mesmo que poderíamos esperar de um governo dominado por assaltantes de bancos, guerrilheiros, assassinos de aluguel, ladrões, punguistas, além da maior quadrilha política do planeta, comandados pelo maior farsante, o mais corrupto, o maior lesa-pátrias (desviou ou doou centenas de milhões de dólares, apenas para sua autopromoção, e também para suas contas secretas), o maior embuste político de todos os tempos, Elle LullaLau. Hoje, no Brasil, o trabalhador honesto e decente ganha menos quem estuprador, assaltante ou assassino.
Eles enquanto presos recebem 1 SM e meio.
Incrível.

ELEIÇÕES 2.014

'Estou pronto para  disputar com Lula ou Dilma', diz Aécio
SENADOR AÉCIO NEVES Ao ser questionado sobre sua pré-candidatura a presidente em 2014, o senador Aécio Neves (MG) esclarece: "Se esta for a vontade do partido, eu estarei pronto para disputar com qualquer candidato do campo do PT, seja Lula ou Dilma. Serão eleições com perfis diferentes e eu não temo nenhuma das duas", afirmou. Porém, ele pondera que o debate das candidaturas deve ficar para "o amanhecer de 2013", pois "uma decisão correta no momento errado é uma decisão errada". Ele diz que a opção José Serra "terá de ser avaliada por seu capital eleitoral e experiência política" e cita também os governadores Geraldo Alckmin (SP), Marconi Perillo (GO) e Beto Richa (PR) como presidenciáveis. Ao comentar seu projeto para 2014 Aécio afirma: "O que eu disse aos companheiros do PSDB é que estarei à disposição do partido para cumprir meu papel, seja como candidato ou apoiador de um candidato que eventualmente tenha melhores condições de disputa do que eu".
Reforma ministerial: três ministras do PT devem deixar o cargo em 2012.
Com a reforma ministerial prevista para ocorrer em fevereiro de 2012, a presidenta Dilma Rousseff deve mudar parte da cota feminina nos cargos do primeiro escalão do governo. Os motivos são o calendário eleitoral ou a avaliação ruim do desempenho. Segundo a Folha de SP, três ministras do PT estão ameaçadas. Dilma teria ficado descontente com os casos recentes envolvendo Iriny Lopes (Mulheres), que pediu a retirada do ar de um comercial de lingerie da top Gisele Bündchen. Já Luiza Bairros (Igualdade Racial) é tida como apagada, apesar de ter bom trânsito no setor. Tanto Iriny quanto Maria do Rosário (Direitos Humanos) podem deixar o cargo para disputar a eleição de 2012. Outra sob ameaça é Ana de Hollanda (Cultura), que apesar de ter a simpatia de Dilma sofre com a falta apoio de parte do setor cultural.
Fui, sou fã deste genial artista, apesar de ser polémico, contestador. Na época dele contestar era preciso no regime autoritário e incentivado pela sociedade burguesa! !
Raul dos Santos Seixas, baiano de Quenhenhen, doze horas de mula e oito de trem..
Ser fã do RAUL SEIXAS é o mesmo que incrementar que o BRASIL é um país de 3º mundo e ainda associado a ideias de outros países que nos exploram e querem que continuemos assim ele como interpetre e cantor quis nos mostrar isso que poderíamos ser independentes, mas infelizmente o povão só gostou de suas musicas sem interpetra-las, na sua ignorância esse povo só apreciou falas e não liberdade e coisas mais serias, um cantor de fibra e responsável pela sua pátria.
Só no Brasil os gênios são menosprezados.....
Viva Raul...
Não se fazem mais gênios como antigamente. Como diria Renato Russo: "o futuro não é mais como era antigamente".
As pessoas só conhecem as músicas mais famosas do Raul. Existem outras igualmente boas que não são tão conhecidas, ex: Diamante de mendigo; Disco voador; Judas; O conto do sábio chinês; Ângela; e tantas outras.
As minhas favoritas sao Gospel e Loteria da Babilonia.....
Cada dia eu descubro algo desse gênio.
Genialidade, ousadia, amor, sex0, rock e acima de tudo uma BRASILIDADE sem igual!!
Simples assim ....
E como todo bom brasileiros rejeitado, discriminado e marginalizado...
Mas valeu a pena tudo!!!!
Seu criticos morre enquanto você Raul... fica eternizado em sua obra e nos nossos corações....
'Porque eu fui o primeiro e jà passou tanto janeiro, mas se todos gostam eu vou voltar...'

Documentário elucida pontos obscuros da carreira de Raul Seixas.

MORRIS KACHANI
Vinte e dois anos após sua morte, finalmente Raul Seixas, ícone máximo do rock'n'roll brasileiro, está ganhando uma biografia a sua altura. E feita por um peso pesado do cinema nacional, o diretor Walter Carvalho, de "Janela da Alma" e "Cazuza".
"Raul Seixas - O Início, o Fim e o Meio" será exibido pela primeira vez no Festival do Rio, no dia 17. A Folha teve acesso exclusivo ao documentário. O filme cutuca vários vespeiros e elucida pontos obscuros de sua carreira.
"O Raul era um artista que tinha pressa, inquieto, provocador e libertário. A ideia foi filmar o mito do jovem artista que se consome e morre por sua obra", diz Walter.
Divulgação
Cena do documentário "Raul Seixas - O inicio o fim e o meio", de Valter Carvalho
Cena do documentário "Raul Seixas - O inicio o fim e o meio", de Walter Carvalho

Há imagens inéditas e eletrizantes de Raul no palco, como as do festival de Saquarema em 1976, idealizado por Nelson Motta nos moldes de Woodstock.
O filme também realiza a proeza de entrevistar as cinco ex-mulheres e três filhas que Raul deixou, superando um histórico familiar de desavenças.
Outro trunfo é a tentativa de esclarecer a frutífera e conturbada parceria entre Raul e Paulo Coelho, iniciada em 73 e que rendeu clássicos como "Al Capone" ou "Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás".
Durante rara entrevista em que aceita falar sobre o ex-parceiro, Coelho entrega: "Era um casamento com tudo menos sexo. Mas era complicado, havia competição".
"Não me arrependo de ter apresentado as drogas a ele. Um cara com aquela idade (25 ou 27) já sabia o que estava fazendo. Maconha, ácido, chá de cogumelo -aquilo fazia parte da minha cultura."
Surpresa: a certa altura uma mosca invade não a sopa, mas a sala de sua casa na Suíça, e tenta pousar no rosto de Paulo, o que o irrita. Ele diz: "Curioso, primeira vez que aparece uma mosca em Genebra. Aqui não tem".
Em outro recorte, fala sobre a Sociedade Alternativa, inspirada no satanismo, que fundou com Raul em 74.
"Foi um período negro. Aquilo era magia radical, fora de qualquer ética", lembra, enquanto são exibidas imagens de rituais com animais de "Contatos Imediatos do Quarto Graal", filme em super-8 feito à época.
Walter Carvalho diz ter reunido mais de 400 horas, entre filmagens e imagens de arquivo. Mais de 90 pessoas foram entrevistadas.
Começando pelos tempos da juventude em Salvador, gênese da sua exuberante mistura entre rock e baião, personagens esquecidos ressuscitam do baú.
Caso de Dalva Borges, que cuidou de Raul nos seus últimos suspiros. Para o filme, reconstitui "in loco" a manhã em que encontrou o músico morto no seu apartamento.
Há mais boas surpresas -como Caetano cantando "Ouro de Tolo". E outra controversa parceria, com Marcelo Nova, é esmiuçada no filme.
Talvez a única lacuna seja a ausência do episódio de Caieiras, em 82, quando Raul foi confundido com um sósia em um show e quase acabou linchado. Mas disso os fãs não podem reclamar: Rita Lee interpreta Raul otimamente, nessa exata situação, no curta "Tanta Estrela por Aí" (1993), de Tadeu Knudsen.
Raul seixas - O início, o fim e o meio
DIREÇÃO Walter Carvalho
PRODUÇÃO Brasil, 2011
QUANDO no dia 17, às 21h15, no Odeon Petrobras